terça-feira, 12 de junho de 2012

Provedor pede condições especiais para disléxicos

O Provedor de Justiça pede condições especiais em todos os exames nacionais do ensino básico para os alunos que sofrem de dislexia.

Alfredo de Sousa enviou, hoje, um ofício à Secretaria de Estado do Ensino Básico e Secundário no sentido de serem tomadas medidas em todos os exames nacionais para os alunos com necessidades educativas especiais. Em causa, estão os j disléxicos, cujas queixas levaram a Provedoria de Justiça a tomar posição.

Hoje, com os exames nacionais à porta, faz nova recomendação no sentido dos responsáveis escolares estarem atentos às necessidades educativas especiais dos examinados. Em primeiro lugar, pede que seja aplicada a Ficha A em todas as provas, escritas ou orais. Trata-se de um instrumento de apoio para a classificação de provas de exame nos casos de dislexia e que permite a não penalização dos erros caraterísticos da doença.

Em "situações extremas de limitações severas de capacidade de leitura" recomenda a apreciação caso a caso e que seja autorizada a aplicação de condição especial de leitura dos enunciados com monitorização.

O provedor de Justiça sublinha que, caso considerem não haver motivo para aceitar o pedido de condições especiais, devem ter em atenção que isso pode "comprometer a transição do aluno, situação possível no 9.º ano de escolaridade". Este reprova se tiver 3 (na escala de 0 a 5) na frequência e 1 no exame.

A divulgação atempada do catálogo das condições especiais de exame para os alunos com dislexia será uma forma de evitar conflitos durante os exames, defende Alfredo de Sousa. E apela a que seja feita a avaliação das necessidades dos alunos tendo em vista os exames no ano letivo anterior, ou seja, no 5.º e 8.º ano.

Fonte: DN

Aumentar espaço entre as letras ajuda disléxicos a ler

Crianças disléxicas podem ler melhor e mais rápido quando há uma separação maior entre as letras de um texto, segundo um estudo publicado na revista Atas da Academia Americana de Ciências (PNAS).


O trabalho, realizado por cientistas europeus com 54 crianças italianas e 40 francesas, todas com dislexia e idades entre 8 e 14 anos, mostrou que a precisão para decifrar palavras duplica e a velocidade de leitura aumenta 20% quando o espaço entre as letras é maior.

«Os nossos resultados proporcionam um método prático para melhorar a leitura dos disléxicos sem necessidade de treino especial», concluiu o estudo liderado por Marco Zorzi, do Departamento de Psicologia da Universidade de Pádua (Itália). Os cientistas atribuem o feito a que, com um espaço maior, se mitiga o fenómeno de «aglomeração» das letras que leva os disléxicos a não conseguirem distinguir claramente os caracteres.

Os trabalhos apresentados às crianças incluíram 24 frases curtas que deviam ler em duas versões: uma com o texto apresentado de forma normal e outra com o texto apresentado com espaço maior entre as letras.

O texto normal estava escrito com corpo de letra de 14 pontos, enquanto na outra versão, o espaço entre as letras aumentou 2,5 pontos (um ponto corresponde a 0,353 mm, segundo os padrões).

«O espaço entre I e L na palavra italiana 'il' (que significa ele) passou de 2,7 pontos (...) para 5,2 pontos», explicou o estudo.

Os resultados são particularmente animadores porque separar mais as letras não só aumenta a velocidade de leitura das crianças disléxicas, mas beneficia especialmente os disléxicos mais graves, o que demonstra a eficácia do método.

Este, no entanto, não faz efeito nas crianças não disléxicas, segundo os autores, provenientes da Universidade de Aix-Marseille (França) e do Centro Nacional de Pesquisa Científica francês (CNRS).

A dislexia é um transtorno que afecta a parte do cérebro dedicada à interpretação da língua. Não tem cura e estima-se que afecte 15% dos americanos. Para tratá-la, costuma recomendar-se acompanhamento adicional e um intenso enfoque na leitura.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Breve análise ao novo despacho de organização do ano letivo 2012/2013

Foi publicado o Despacho normativo n.º 13-A/2012 relativo à organização do ano letivo. 


Certamente que nos próximos dias, novas pérolas se conhecerão, no entanto, deixo-vos com algumas para refletirem:

Artigo 8.º, ponto 1: "A componente letiva, a constar no horário semanal de cada docente, encontra -se fixada no artigo 77.º do ECD, considerando -se que está completa quando totalizar 25 horas semanais, no caso do pessoal docente da educação pré -escolar e do 1.º ciclo do ensino básico, ou 22 horas semanais (1100 minutos), no caso do pessoal dos restantes ciclos e níveis de ensino, incluindo a educação especial".

Traduzindo: Se forem definidos ao nível de escola/agrupamento, tempos letivos de 50 minutos serão 22 "horas" semanais de componente letiva ("horário completo")... Se forem definidos tempos letivos de 45 minutos teremos 24 "horas" semanais de componente letiva ("horário completo").

Já há uma semana, o Advogado do Diabo falava nisto aqui. Afinal o cenário ainda consegue ser mais negro do que aquilo que a maioria pensava. As implicações serão ainda maiores em termos do número global de horários de professores para o próximo ano letivo.




Artigo 8.º, ponto 4: "A componente letiva de cada docente dos quadros tem de estar totalmente completanão podendo, em caso algum, conter qualquer tempo de insuficiência". 

Artigo 8.º, ponto 5: "Para os efeitos previstos no número anterior, utilizam-se atividades letivas existentes na escola ou agrupamento, designadamente substituições temporárias, lecionação de grupos de alunos de homogeneidade relativa em disciplinas estruturantesreforço da carga curricular de quaisquer disciplinas, atividades de Apoio ao Estudo ou outro tipo de apoio ou coadjuvação.

Traduzindo: Mais uma boa medida, de fazer mais com menos...

Artigo 11.º, ponto 1: "Em cada ano letivo, o crédito de tempos (CT) é calculado de acordo com a seguinte fórmula CT = K × CAP + EFI + T, em que: K é um fator inerente às características da escola ou agrupamento; CAP corresponde a um indicador da capacidade de gestão dos recursos; EFI corresponde a um indicador da eficácia educativa; T é um parâmetro resultante do número de turmas da escola ou agrupamento".

Traduzindo: Vão ver o que significa cada um dos fatores e vejam a confusão que isto não vai dar... Leiam com calma. Quando encontrarem um fator que depende da avaliação sumativa interna e externa poderão constatar que a "coisa" não vai ser fácil.

Mais algumas novidades, cuja "tradução" irei evitar por desgaste "mental":

Artigo 7.º, ponto 4: "Adicionalmente, a escola ou agrupamento dispõe de um conjunto de horas equivalente ao produto de 1,5 pelo número de turmas dos 2.º e 3.º ciclos e do ensino secundário em regime diurno, arredondado por excesso, para efeitos de imputação na componente letiva dos docentes que exercem funções de direção de turma".

Anexo V: "1 — É autorizado o desdobramento de turmas nas disciplinas de Ciências Naturais e Físico -Química do 3.º ciclo do ensino básico, exclusivamente para a realização de trabalho prático ou experimental: a) Quando o número de alunos da turma for igual ou superior a 20; b) No tempo correspondente a um máximo de 100 minutos. 2 — O desdobramento a que se refere o número anterior deverá funcionar para cada turno semanalmente numa das disciplinas, alternando na semana seguinte na outra disciplina. 3 — A escola poderá encontrar outras formas de desdobramento desde que cumpra a carga estipulada no ponto 1 (...)".

Fonte: Profs Lusos

Feira de Educação Especial alerta para necessidade de inclusão

Esta quarta-feira, a educação especial está em destaque no Jardim Vasco da Gama, em Lisboa. Entre peças de teatro, um concerto de gospel e outras actividades, a II Feira de Educação Especial pretende divulgar as entidades que apoiam crianças e jovens com necessidades educativas especiais. 

Entre as 10h e as 18h30, quem passar no Jardim Vasco, em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, vai deparar-se com um cenário diferente. Está a decorrer a II Feira de Educação Especial que, pelo segundo ano consecutivo, reúne cerca de 30 instituições dedicadas às crianças e jovens com necessidades especiais.

A organização está a cargo do sub-grupo de Educação Inclusiva da Comissão Social Inter-Freguesias de Santa Maria de Belém e de São Francisco Xavier, inserida no projecto Rede Social de Lisboa.

O principal objectivo da Feira é promover a inclusão de crianças e jovens com necessidades especiais e, para tal, aposta na “divulgação de vários tipo de respostas públicas, privadas e Instituições Particulares de Solidariedade Social”, explica Catarina Abreu, representante da Junta de Freguesia de São Francisco Xavier.

São várias as actividades, desenvolvidas por alunos com necessidades especiais das instituições representadas, que garantem animação ao longo do evento. “Muitas actuações de palco, como coreografias e peças de teatro e um concerto de gospel do grupo ‘Os Levitas’”, concretiza a organizadora. A cantora Micaela intensifica o divertimento, representando a Agape Foundation, associação da qual é embaixadora em Portugal.

Este ano, a iniciativa conta com a participação da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), que marca presença com dois stands, um da associação e outro da Unidade de Equipamentos e Serviços Tiflotécnicos (UEST), que comercializa produtos para deficientes visuais. “É uma boa oportunidade para todos nos conhecermos e sermos mais úteis”, declara Graça Gerardo, directora da ACAPO. “Trouxemos lápis de cor com o alfabeto em braille e jogos de cartas e de numeração, para que pessoas com e sem deficiência possam jogar com autonomia”, acrescenta.

Segundo Catarina Abreu, a feira dirige-se a “todas as pessoas que procurem informação na área”. A entrada é livre e, tal como na primeira edição, ocorrida em Maio do ano passado, esperam-se cerca de 200 crianças, “sem contar com os transeuntes curiosos e com os participantes adultos”, remata.

Fonte: Público

terça-feira, 5 de junho de 2012

E quando o médico diz: “O seu filho nasceu com uma deficiência”

E quando a resposta é: "Poderá haver um problema" ou " O seu filho nasceu com uma deficiência"! Naquele momento, naquele minuto fatal, desmorona-se tudo!

A partir do momento em que se confirma uma gravidez desejada, o casal, e até mesmo a família alargada, vive momentos de verdadeira felicidade. Tudo é pensado em nome da criança vindoura. A mãe cumpre religiosamente as consultas de acompanhamento, o pai delicia-se com o crescimento da barriga e juntos deliram com os primeiros "pontapeares". As compras focam-se na decoração do quarto do bebé, nas roupas mais confortáveis, na aquisição das "cadeirinhas" mais adequadas... 

A mãe e o pai idealizam o rosto da criança, com uma esperança, quase secreta, que ela venha a herdar geneticamente o melhor de cada um. Durante nove meses, a família é, assim, imbuída de emoções positivas e anseia o momento do nascimento! 

Quando a criança nasce, o pai comemora com os amigos, a mãe recebe telefonemas das amigas, enfim... vive-se o melhor momento da vida de qualquer ser humano! 

Todavia, nem sempre este cenário é assim! Quando o pediatra chega, com um ar quase ensimesmado, os olhos pequenos e um franzir na testa... O medo instala-se e os pais perguntam, quase desesperadamente: 

- O meu bebé está bem? Nasceu perfeitinho? 

E quando a resposta é: "Poderá haver um problema" ou "O seu filho nasceu com uma deficiência" Naquele momento, naquele minuto fatal, desmorona-se tudo! 

A criança sonhada, a criança idealizada, dá lugar a uma criança não desejada, isto porque nenhum ser humano deseja ter uma criança com deficiência! 

E no meio deste sequestro emocional, a mãe tem alta, vem para casa com "outro" bebé e sem qualquer tipo de apoio psicológico! 

Os pais percorrem, assim, um longo período de sofrimento, passando por várias etapas, muitas vezes, sozinhos. 

São estes pais que chegam à minha "Escola de Pais Especiais". Pais revoltados, amargurados, sem vida própria, que esqueceram de viver, pois tudo passou a centrar-se nos cuidados do novo ser. 

A estes pais eu gostaria de dizer que ter uma criança com deficiência não é prenúncio de uma vida futura infeliz. A deficiência não é uma fatalidade! É, antes, um reaprender a amar de forma diferente, mais intensa, mais verdadeira e única! E lembrem-se, quanto mais depressa superarem o ciclo de sofrimento, mais depressa apreciarão os encantos que só estas crianças são capazes de oferecer! 

Chegam-me ainda outros pais especiais, como o caso da mãe Rosalina, que me disse: "Eu tenho três filhos com necessidades educativas especiais, mas tenho a certeza que não existe um família tão feliz como a nossa"! 

É esta raridade de emoções positivas, é este amar superiormente, é este viver apaixonadamente com um filho especial, que precisa ser "contagiado" àqueles que se deparam, neste momento, com a impotência de ser pais com um filho com deficiência. 

Urge, por isso, um agitar de consciência social e política, no que concerne ao apoio emocional destes pais tão especiais e à intervenção precoce do seu filho. 

Urge fazer perceber a estes pais e ao mundo em geral que se a Natureza ditou estas crianças é porque necessita delas! Afinal... elas são seres excecionais! 

Urge a desmistificação da deficiência. 

Urge acreditar no que estas crianças nos acrescentam diariamente, tornando-nos, a todos nós, também pessoas especiais! 

A estas crianças o meu eterno Obrigada, e a todos os pais especiais, 

Um sorriso especial! 

Fonte: Educare

terça-feira, 29 de maio de 2012

Sinto Muito de Nuno Lobo Antunes



É um livro de confissões/memórias de um neuro oncologista pediátrico e hoje neurologista sobre doenças de deficit de atenção. Uma reflexão sentida sobre aquilo porque muitas pessoas têm que passar ao longo da vida ou já no fim dela.
Sinto Muito é sobre o sofrimento em geral, sobre a dor, seguida de perda, seguida de dor. Entristece o coração, mas recompensa-o grandemente, tornando-o mais leve e melhor.
Nuno Lobo Antunes pretende, com bom propósito e bons resultados, deixar que o seu coração se pronuncie, que se liberte a sua voz, que seja conhecida a sua humanidade. E, na verdade, a alma fala.



Excerto
«Há no médico o desejo de ser santo, de ser maior. Mas na sua memória transporta, como um fardo, olhares, sons, cheiros e tudo o que o lembra de ser menor e imperfeito. 
Este é um livro de confissões. Uma peregrinação interior em que a bailarina torce o pé, o saltador derruba a barra, o arquitecto se senta debaixo da abóbada, e no fim, ela desaba. 
O médico e o seu doente são um só, face dupla da mesma moeda. O médico provoca o Criador, não lhe vai na finta, evita o engodo. Mas no cais despede-se, e pede perdão por não ter sido parceiro para tal desafio.»
Do prefácio de António Damásio

Nuno Lobo Antunes



Ontem, proporcionado pela Apatris 21, tive o prazer de ouvir este senhor falar sobre suas experiências e conhecimentos sobre Síndrome de Asperger. Fantástico!

Criança hiperactiva regressou às aulas em Viana do Castelo


Seis dias depois de ter sido afastado da escola, o menino de seis anos que na quarta-feira passada foi impedido, pelo agrupamento de escolas do Atlântico, de frequentar as aulas, alegadamente devido ao seu comportamento hiperactivo, regressou, ontem, à escola primária da Avenida, em Viana do Castelo. 

A direcção do agrupamento concluiu que o seu comportamento "estabilizou" devido à alteração da medicação decidida pela equipa médica que o acompanha desde Setembro passado. No entanto, o regresso será "parcial", uma vez que a criança, ao contrário do que acontecia até agora, vai passar a almoçar em casa, de forma a evitar o "período de maior agitação" que se regista habitualmente nas cantinas escolares e que foi identificado como sendo "uma fonte de perturbação".

A decisão de fazer regressar a criança às aulas e ao convívio dos colegas foi tomada numa reunião, realizada sexta-feira passada, que sentou à mesma mesa os avós, que assumiram a tutela do menino desde o primeiro ano de vida, a direcção da escola e a pedopsiquiatra do Hospital de Viana que segue o menino desde o início do ano lectivo. 

Fonte da direcção do agrupamento explicou que a decisão de interromper as refeições na cantina da escola foi sugerida pelos encarregados de educação e recolheu o apoio de todos os intervenientes no encontro. "Tem a ver com o processo de integração que é necessário assegurar", disse ainda a fonte.

Apesar do acordo alcançado, a escola reconheceu que nesta altura o acompanhamento da criança vai ser "limitado", uma vez que a professora do ensino especial se encontra de baixa médica. "Temos um problema de recursos, o que faz com que tenhamos de reformular a estratégia", acrescentou a mesma fonte. 

Depois de ter deixado a criança na escola, Vítor Araújo, avô, afirmou aos jornalistas que faltou "diálogo neste processo para evitar que a situação chegasse a este ponto". "É preciso proteger o meu neto. É uma criança de seis anos, não é nenhum bicho. Já basta o que ele tem passado. Nós esforçamo-nos para que ele tenha uma vida melhor", afirmou. No regresso às aulas, o menino prometeu ao avô que ia portar-se melhor. "Ele gosta de vir à escola."

A situação e os alegados conflitos gerados pela criança, na turma do primeiro ano, são conhecidos desde Setembro. A alegada violência exercida sobre alguns colegas, professores e auxiliares veio a público em Novembro quando os encarregados de educação de 15 das 20 crianças da sala decidiram impedir os filhos de frequentar as aulas. Consideravam não estarem reunidas "condições de segurança" para o efeito. A maioria acabaria mesmo por optar pela transferência de estabelecimento de ensino.

No passado dia 18 tudo se voltou a complicar na sequência de uma crise de hiperactividade que conduziu à suspensão da criança.

Fonte: Público

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A dislexia das crianças e a dislexia dos que mandam

Santana Castilho *

1. O júri nacional de exames (JNE) recusou que a uma aluna de 14 anos fosse lido o enunciado do exame a que se submetia, obrigatoriamente. A aluna é disléxica. A leitura era prática seguida há anos. Aparentemente, a questão resume-se a saber se a um aluno disléxico devem ou não ser lidos os enunciados dos exames. O JNE diz que não. Os especialistas dizem que sim, pelo menos em casos determinados, dependendo da dificuldade do aluno. No caso em apreço, a escola da aluna recomendou a leitura. A terapeuta que a assiste também, aliás secundada pela respectiva direcção regional. Alega o JNE que os alunos disléxicos têm uma tolerância de 30 minutos relativamente ao tempo de duração das provas e são classificados segundo regras concebidas para que as suas limitações não se reflictam no resultado final. O JNE invoca uma generalização de abusos quanto a condições especiais, que se tornaram regra para alunos disléxicos. Da literatura disponível sobre a matéria inferem-se factos, a saber: a dislexia é uma limitação do foro neurológico, com diferentes graus de gravidade; uma dislexia moderada pode dispensar a leitura do enunciado dos exames, mas uma dislexia severa não; assim, alguns disléxicos podem cognitivamente dominar um saber e prová-lo se interrogados oralmente, embora não consigam entender ou sequer ler a pergunta, se esta for formulada por escrito. Num exame de Matemática, por exemplo, mede-se um conhecimento específico que um aluno pode deter em grau máximo, apesar da sua dislexia severa. Mas não o conseguirá provar se as questões estiverem escritas. Num exame de Português, o mesmo aluno pode ter uma fina capacidade de interpretar um texto complexo que lhe seja lido. Mas não entenderá coisa alguma se for obrigado a lê-lo. Pode o Estado certificar proficiência em leitura a um aluno com uma dislexia severa? Não. Mas não pode deixar que a limitação do aluno se reflicta noutras áreas do conhecimento, somando à respeitável penalização da natureza humana com que aquele aluno nasceu, outra penalização, desta feita nada respeitável. Porque entre o tempo em que se fechavam em galinheiros crianças deficientes e hoje houve um percurso, embora a tónica esteja agora posta em retrocessos a que chamam progressos. Não é redundante, por isso, recordar a alguns disléxicos que mandam que estão para breve mais exames a que se submeterão mais alunos disléxicos, com níveis de conhecimento que nunca poderão demonstrar se os econometristas da moda persistirem em confundir velocidade com toucinho, uma recorrente dislexia política dos tempos que correm.

2. Passos Coelho e Miguel Relvas, que se saiba, não são disléxicos, por via neurológica. Mas dão sinais preocupantes de dislexia política. As afirmações do primeiro sobre a ventura feliz que o desemprego constitui, demonstraram uma profunda incapacidade de leitura do drama social dos portugueses desempregados. E a censura cínica que lhes dirigiu por preferirem ser assalariados a “empreendedores” (ele que, no curto tempo em que desempenhou alguma actividade produtiva se acolheu prudentemente ao Estado e a Ângelo Correia) mostra que não sabe, também, ler dados estatísticos. É que, se por um lado Portugal é o quarto país da OCDE que mais empresários tem, por outro, três quartos das empresas criadas ficam insolventes nos primeiros anos de actividade. Se esta dislexia for recuperável, perceberá um dia, tarde, que as causas do desastre, a que ele chama sorte, são outras. Começando por ele e pelo seu pensamento fundamentalista, socialmente darwinista.

Quanto ao homem do avental, ele que ousa dissertar sobre “jornalismo interpretativo”, acometido que parece de dislexia político/comunicacional (que generoso estou, não falando de pulsões chantagistas), avanço propostas terapêuticas para a interpretação do “texto”, que qualquer assessor lhe pode ler:

- Diga, em adenda à carta que dirigiu à Entidade Reguladora para a Comunicação Social, se sim ou não ameaçou a jornalista Maria José Oliveira com a publicação de dados sobre a sua (dela) vida privada.

- Diga, do mesmo passo, como saneia uma aparente contradição, quando depois de garantir que conheceu o ex-espião Jorge Silva Carvalho depois de Março de 2010, referiu na Assembleia da República ter dele recebido um “clipping” reportando uma visita de Bush ocorrida … em 2007. Esclareça se era habitual Silva Carvalho fazer “remakes” do “Canal História”, via SMS.

Claro está que isto é retórica de escriba. De escriba que expôs ao ministro Relvas, acabado de empossar, uma estranha “dislexia”, que continua por tratar ou explicar. Ainda os casos Nuno Simas e Pedro Rosa Mendes vinham longe.

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

Fonte: Aventar

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Criança de seis anos impedida de frequentar escola por ser hiperativa

Uma criança, de seis anos, foi hoje impedida pela direção escolar de frequentar o estabelecimento de ensino, em Viana do Castelo, por alegadamente estar "suspensa" devido ao comportamento hiperativo e nem a intervenção da PSP permitiu inverter a situação.
Durante cerca de uma hora, a criança e os avós, que assumiram a tutela desde o primeiro ano de vida do menor, estiveram à porta da Escola da Avenida, na cidade de Viana do Castelo, mas da parte da direção receberam apenas o pedido para terem "paciência" e que a criança estava "suspensa" devido ao seu comportamento.

"Ele é hiperativo, não para um segundo e isso é verdade. Não tem mais nada de especial e estava a ser acompanhado por uma especialista aqui na escola, porque em casa o comportamento é praticamente normal", explicou Vítor Araújo, o avô.

A situação e os alegados conflitos da criança na turma do primeiro ano que frequenta naquela escola são conhecidas desde setembro, nomeadamente com episódios de violência até sobre alguns colegas, professores e auxiliares, mas tudo se agudizou na semana passada.

"Numa destas crises, partiu uma janela e o Agrupamento de Escolas deu ordem que quando acontecesse alguma coisa do género tinha de ir para o hospital. Mas nós só fomos avisados quando ele já estava lá", acrescentou Ana Paula Silva, a encarregada de educação, que trabalha a poucos metros da escola.

A criança, que alegadamente reage mal quando contrariada, passou os dias de sexta, segunda e terça-feira sem ir à escola e fez, entretanto, nova troca de medicamentos "para tentar ajustar o comportamento", até que hoje se preparava para regressar.

"Aqui à porta disseram-me que ele está suspenso, não pode frequentar a escola e que para a semana haverá uma reunião entre todas as partes para decidir. Enquanto isso, esteve a ver os colegas a entrarem e ele sem o poder fazer. Isto é revoltante para qualquer pessoa", desabafou ainda.

Os avós chamaram a PSP de Viana do Castelo ao local e apresentaram queixa sobre o impedimento da criança em frequentar a escola, nomeadamente por não terem qualquer justificação para esta suspensão e tendo em conta a sua idade e falta de alternativas da própria direção.

A Agência Lusa contactou a diretora da Escola da Avenida para tentar obter explicações sobre este caso mas esta remeteu qualquer comentário para o Agrupamento de Escola do Atlântico.

Por sua vez, e apesar das insistências dos jornalistas, ninguém da direção daquele agrupamento se mostrou disponível para prestar declarações.

A criança acabou por regressar a casa com os avós, que ainda não decidiram se, na quinta-feira, voltam a tentar levar o menor à escola.

Fonte: JN

Comentário:

  • Perante esta notícia pergunto-me: 
Estará esta criança abrangida por medidas do Decreto-lei 3/2008 - Educação Especial? 
Pela expressão "estava a ser acompanhado por uma especialista aqui na escola" indica-nos que sim e que não será um caso simples de hiperatividade porque senão seria facilmente controlada pela medicação.

Provavelmente as pessoas, na sua maioria, terão uma opinião que vai contra a decisão da escola pois irão questionar a falta de medidas apresentadas pela escola... ora, estamos em Maio, ultrapassamos mais de metade do ano letivo e só agora a medida de suspensão foi aplicada. Conjeturo que a escola (e a equipa que acompanha o aluno) terá tentado de tudo para harmonizar a inclusão deste aluno.

  • Agora pergunto-vos: 
Conseguem imaginar o que as pessoas que trabalham com este menino já sentiram ou sentem?! 
Eu consigo e digo-vos mais quem ama a camisola que veste sofre muito com estas situações... e quando falamos do dito "acompanhamento do especialista" falamos certamente de um professor de Educação Especial. 

  • Sugiro:
Atenção ao título desta notícia. A hiperatividade por si só não é justificação. Não julguem sem antes saber quais os antecedentes!