terça-feira, 5 de junho de 2012

E quando o médico diz: “O seu filho nasceu com uma deficiência”

E quando a resposta é: "Poderá haver um problema" ou " O seu filho nasceu com uma deficiência"! Naquele momento, naquele minuto fatal, desmorona-se tudo!

A partir do momento em que se confirma uma gravidez desejada, o casal, e até mesmo a família alargada, vive momentos de verdadeira felicidade. Tudo é pensado em nome da criança vindoura. A mãe cumpre religiosamente as consultas de acompanhamento, o pai delicia-se com o crescimento da barriga e juntos deliram com os primeiros "pontapeares". As compras focam-se na decoração do quarto do bebé, nas roupas mais confortáveis, na aquisição das "cadeirinhas" mais adequadas... 

A mãe e o pai idealizam o rosto da criança, com uma esperança, quase secreta, que ela venha a herdar geneticamente o melhor de cada um. Durante nove meses, a família é, assim, imbuída de emoções positivas e anseia o momento do nascimento! 

Quando a criança nasce, o pai comemora com os amigos, a mãe recebe telefonemas das amigas, enfim... vive-se o melhor momento da vida de qualquer ser humano! 

Todavia, nem sempre este cenário é assim! Quando o pediatra chega, com um ar quase ensimesmado, os olhos pequenos e um franzir na testa... O medo instala-se e os pais perguntam, quase desesperadamente: 

- O meu bebé está bem? Nasceu perfeitinho? 

E quando a resposta é: "Poderá haver um problema" ou "O seu filho nasceu com uma deficiência" Naquele momento, naquele minuto fatal, desmorona-se tudo! 

A criança sonhada, a criança idealizada, dá lugar a uma criança não desejada, isto porque nenhum ser humano deseja ter uma criança com deficiência! 

E no meio deste sequestro emocional, a mãe tem alta, vem para casa com "outro" bebé e sem qualquer tipo de apoio psicológico! 

Os pais percorrem, assim, um longo período de sofrimento, passando por várias etapas, muitas vezes, sozinhos. 

São estes pais que chegam à minha "Escola de Pais Especiais". Pais revoltados, amargurados, sem vida própria, que esqueceram de viver, pois tudo passou a centrar-se nos cuidados do novo ser. 

A estes pais eu gostaria de dizer que ter uma criança com deficiência não é prenúncio de uma vida futura infeliz. A deficiência não é uma fatalidade! É, antes, um reaprender a amar de forma diferente, mais intensa, mais verdadeira e única! E lembrem-se, quanto mais depressa superarem o ciclo de sofrimento, mais depressa apreciarão os encantos que só estas crianças são capazes de oferecer! 

Chegam-me ainda outros pais especiais, como o caso da mãe Rosalina, que me disse: "Eu tenho três filhos com necessidades educativas especiais, mas tenho a certeza que não existe um família tão feliz como a nossa"! 

É esta raridade de emoções positivas, é este amar superiormente, é este viver apaixonadamente com um filho especial, que precisa ser "contagiado" àqueles que se deparam, neste momento, com a impotência de ser pais com um filho com deficiência. 

Urge, por isso, um agitar de consciência social e política, no que concerne ao apoio emocional destes pais tão especiais e à intervenção precoce do seu filho. 

Urge fazer perceber a estes pais e ao mundo em geral que se a Natureza ditou estas crianças é porque necessita delas! Afinal... elas são seres excecionais! 

Urge a desmistificação da deficiência. 

Urge acreditar no que estas crianças nos acrescentam diariamente, tornando-nos, a todos nós, também pessoas especiais! 

A estas crianças o meu eterno Obrigada, e a todos os pais especiais, 

Um sorriso especial! 

Fonte: Educare

terça-feira, 29 de maio de 2012

Sinto Muito de Nuno Lobo Antunes



É um livro de confissões/memórias de um neuro oncologista pediátrico e hoje neurologista sobre doenças de deficit de atenção. Uma reflexão sentida sobre aquilo porque muitas pessoas têm que passar ao longo da vida ou já no fim dela.
Sinto Muito é sobre o sofrimento em geral, sobre a dor, seguida de perda, seguida de dor. Entristece o coração, mas recompensa-o grandemente, tornando-o mais leve e melhor.
Nuno Lobo Antunes pretende, com bom propósito e bons resultados, deixar que o seu coração se pronuncie, que se liberte a sua voz, que seja conhecida a sua humanidade. E, na verdade, a alma fala.



Excerto
«Há no médico o desejo de ser santo, de ser maior. Mas na sua memória transporta, como um fardo, olhares, sons, cheiros e tudo o que o lembra de ser menor e imperfeito. 
Este é um livro de confissões. Uma peregrinação interior em que a bailarina torce o pé, o saltador derruba a barra, o arquitecto se senta debaixo da abóbada, e no fim, ela desaba. 
O médico e o seu doente são um só, face dupla da mesma moeda. O médico provoca o Criador, não lhe vai na finta, evita o engodo. Mas no cais despede-se, e pede perdão por não ter sido parceiro para tal desafio.»
Do prefácio de António Damásio

Nuno Lobo Antunes



Ontem, proporcionado pela Apatris 21, tive o prazer de ouvir este senhor falar sobre suas experiências e conhecimentos sobre Síndrome de Asperger. Fantástico!

Criança hiperactiva regressou às aulas em Viana do Castelo


Seis dias depois de ter sido afastado da escola, o menino de seis anos que na quarta-feira passada foi impedido, pelo agrupamento de escolas do Atlântico, de frequentar as aulas, alegadamente devido ao seu comportamento hiperactivo, regressou, ontem, à escola primária da Avenida, em Viana do Castelo. 

A direcção do agrupamento concluiu que o seu comportamento "estabilizou" devido à alteração da medicação decidida pela equipa médica que o acompanha desde Setembro passado. No entanto, o regresso será "parcial", uma vez que a criança, ao contrário do que acontecia até agora, vai passar a almoçar em casa, de forma a evitar o "período de maior agitação" que se regista habitualmente nas cantinas escolares e que foi identificado como sendo "uma fonte de perturbação".

A decisão de fazer regressar a criança às aulas e ao convívio dos colegas foi tomada numa reunião, realizada sexta-feira passada, que sentou à mesma mesa os avós, que assumiram a tutela do menino desde o primeiro ano de vida, a direcção da escola e a pedopsiquiatra do Hospital de Viana que segue o menino desde o início do ano lectivo. 

Fonte da direcção do agrupamento explicou que a decisão de interromper as refeições na cantina da escola foi sugerida pelos encarregados de educação e recolheu o apoio de todos os intervenientes no encontro. "Tem a ver com o processo de integração que é necessário assegurar", disse ainda a fonte.

Apesar do acordo alcançado, a escola reconheceu que nesta altura o acompanhamento da criança vai ser "limitado", uma vez que a professora do ensino especial se encontra de baixa médica. "Temos um problema de recursos, o que faz com que tenhamos de reformular a estratégia", acrescentou a mesma fonte. 

Depois de ter deixado a criança na escola, Vítor Araújo, avô, afirmou aos jornalistas que faltou "diálogo neste processo para evitar que a situação chegasse a este ponto". "É preciso proteger o meu neto. É uma criança de seis anos, não é nenhum bicho. Já basta o que ele tem passado. Nós esforçamo-nos para que ele tenha uma vida melhor", afirmou. No regresso às aulas, o menino prometeu ao avô que ia portar-se melhor. "Ele gosta de vir à escola."

A situação e os alegados conflitos gerados pela criança, na turma do primeiro ano, são conhecidos desde Setembro. A alegada violência exercida sobre alguns colegas, professores e auxiliares veio a público em Novembro quando os encarregados de educação de 15 das 20 crianças da sala decidiram impedir os filhos de frequentar as aulas. Consideravam não estarem reunidas "condições de segurança" para o efeito. A maioria acabaria mesmo por optar pela transferência de estabelecimento de ensino.

No passado dia 18 tudo se voltou a complicar na sequência de uma crise de hiperactividade que conduziu à suspensão da criança.

Fonte: Público

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A dislexia das crianças e a dislexia dos que mandam

Santana Castilho *

1. O júri nacional de exames (JNE) recusou que a uma aluna de 14 anos fosse lido o enunciado do exame a que se submetia, obrigatoriamente. A aluna é disléxica. A leitura era prática seguida há anos. Aparentemente, a questão resume-se a saber se a um aluno disléxico devem ou não ser lidos os enunciados dos exames. O JNE diz que não. Os especialistas dizem que sim, pelo menos em casos determinados, dependendo da dificuldade do aluno. No caso em apreço, a escola da aluna recomendou a leitura. A terapeuta que a assiste também, aliás secundada pela respectiva direcção regional. Alega o JNE que os alunos disléxicos têm uma tolerância de 30 minutos relativamente ao tempo de duração das provas e são classificados segundo regras concebidas para que as suas limitações não se reflictam no resultado final. O JNE invoca uma generalização de abusos quanto a condições especiais, que se tornaram regra para alunos disléxicos. Da literatura disponível sobre a matéria inferem-se factos, a saber: a dislexia é uma limitação do foro neurológico, com diferentes graus de gravidade; uma dislexia moderada pode dispensar a leitura do enunciado dos exames, mas uma dislexia severa não; assim, alguns disléxicos podem cognitivamente dominar um saber e prová-lo se interrogados oralmente, embora não consigam entender ou sequer ler a pergunta, se esta for formulada por escrito. Num exame de Matemática, por exemplo, mede-se um conhecimento específico que um aluno pode deter em grau máximo, apesar da sua dislexia severa. Mas não o conseguirá provar se as questões estiverem escritas. Num exame de Português, o mesmo aluno pode ter uma fina capacidade de interpretar um texto complexo que lhe seja lido. Mas não entenderá coisa alguma se for obrigado a lê-lo. Pode o Estado certificar proficiência em leitura a um aluno com uma dislexia severa? Não. Mas não pode deixar que a limitação do aluno se reflicta noutras áreas do conhecimento, somando à respeitável penalização da natureza humana com que aquele aluno nasceu, outra penalização, desta feita nada respeitável. Porque entre o tempo em que se fechavam em galinheiros crianças deficientes e hoje houve um percurso, embora a tónica esteja agora posta em retrocessos a que chamam progressos. Não é redundante, por isso, recordar a alguns disléxicos que mandam que estão para breve mais exames a que se submeterão mais alunos disléxicos, com níveis de conhecimento que nunca poderão demonstrar se os econometristas da moda persistirem em confundir velocidade com toucinho, uma recorrente dislexia política dos tempos que correm.

2. Passos Coelho e Miguel Relvas, que se saiba, não são disléxicos, por via neurológica. Mas dão sinais preocupantes de dislexia política. As afirmações do primeiro sobre a ventura feliz que o desemprego constitui, demonstraram uma profunda incapacidade de leitura do drama social dos portugueses desempregados. E a censura cínica que lhes dirigiu por preferirem ser assalariados a “empreendedores” (ele que, no curto tempo em que desempenhou alguma actividade produtiva se acolheu prudentemente ao Estado e a Ângelo Correia) mostra que não sabe, também, ler dados estatísticos. É que, se por um lado Portugal é o quarto país da OCDE que mais empresários tem, por outro, três quartos das empresas criadas ficam insolventes nos primeiros anos de actividade. Se esta dislexia for recuperável, perceberá um dia, tarde, que as causas do desastre, a que ele chama sorte, são outras. Começando por ele e pelo seu pensamento fundamentalista, socialmente darwinista.

Quanto ao homem do avental, ele que ousa dissertar sobre “jornalismo interpretativo”, acometido que parece de dislexia político/comunicacional (que generoso estou, não falando de pulsões chantagistas), avanço propostas terapêuticas para a interpretação do “texto”, que qualquer assessor lhe pode ler:

- Diga, em adenda à carta que dirigiu à Entidade Reguladora para a Comunicação Social, se sim ou não ameaçou a jornalista Maria José Oliveira com a publicação de dados sobre a sua (dela) vida privada.

- Diga, do mesmo passo, como saneia uma aparente contradição, quando depois de garantir que conheceu o ex-espião Jorge Silva Carvalho depois de Março de 2010, referiu na Assembleia da República ter dele recebido um “clipping” reportando uma visita de Bush ocorrida … em 2007. Esclareça se era habitual Silva Carvalho fazer “remakes” do “Canal História”, via SMS.

Claro está que isto é retórica de escriba. De escriba que expôs ao ministro Relvas, acabado de empossar, uma estranha “dislexia”, que continua por tratar ou explicar. Ainda os casos Nuno Simas e Pedro Rosa Mendes vinham longe.

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

Fonte: Aventar

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Criança de seis anos impedida de frequentar escola por ser hiperativa

Uma criança, de seis anos, foi hoje impedida pela direção escolar de frequentar o estabelecimento de ensino, em Viana do Castelo, por alegadamente estar "suspensa" devido ao comportamento hiperativo e nem a intervenção da PSP permitiu inverter a situação.
Durante cerca de uma hora, a criança e os avós, que assumiram a tutela desde o primeiro ano de vida do menor, estiveram à porta da Escola da Avenida, na cidade de Viana do Castelo, mas da parte da direção receberam apenas o pedido para terem "paciência" e que a criança estava "suspensa" devido ao seu comportamento.

"Ele é hiperativo, não para um segundo e isso é verdade. Não tem mais nada de especial e estava a ser acompanhado por uma especialista aqui na escola, porque em casa o comportamento é praticamente normal", explicou Vítor Araújo, o avô.

A situação e os alegados conflitos da criança na turma do primeiro ano que frequenta naquela escola são conhecidas desde setembro, nomeadamente com episódios de violência até sobre alguns colegas, professores e auxiliares, mas tudo se agudizou na semana passada.

"Numa destas crises, partiu uma janela e o Agrupamento de Escolas deu ordem que quando acontecesse alguma coisa do género tinha de ir para o hospital. Mas nós só fomos avisados quando ele já estava lá", acrescentou Ana Paula Silva, a encarregada de educação, que trabalha a poucos metros da escola.

A criança, que alegadamente reage mal quando contrariada, passou os dias de sexta, segunda e terça-feira sem ir à escola e fez, entretanto, nova troca de medicamentos "para tentar ajustar o comportamento", até que hoje se preparava para regressar.

"Aqui à porta disseram-me que ele está suspenso, não pode frequentar a escola e que para a semana haverá uma reunião entre todas as partes para decidir. Enquanto isso, esteve a ver os colegas a entrarem e ele sem o poder fazer. Isto é revoltante para qualquer pessoa", desabafou ainda.

Os avós chamaram a PSP de Viana do Castelo ao local e apresentaram queixa sobre o impedimento da criança em frequentar a escola, nomeadamente por não terem qualquer justificação para esta suspensão e tendo em conta a sua idade e falta de alternativas da própria direção.

A Agência Lusa contactou a diretora da Escola da Avenida para tentar obter explicações sobre este caso mas esta remeteu qualquer comentário para o Agrupamento de Escola do Atlântico.

Por sua vez, e apesar das insistências dos jornalistas, ninguém da direção daquele agrupamento se mostrou disponível para prestar declarações.

A criança acabou por regressar a casa com os avós, que ainda não decidiram se, na quinta-feira, voltam a tentar levar o menor à escola.

Fonte: JN

Comentário:

  • Perante esta notícia pergunto-me: 
Estará esta criança abrangida por medidas do Decreto-lei 3/2008 - Educação Especial? 
Pela expressão "estava a ser acompanhado por uma especialista aqui na escola" indica-nos que sim e que não será um caso simples de hiperatividade porque senão seria facilmente controlada pela medicação.

Provavelmente as pessoas, na sua maioria, terão uma opinião que vai contra a decisão da escola pois irão questionar a falta de medidas apresentadas pela escola... ora, estamos em Maio, ultrapassamos mais de metade do ano letivo e só agora a medida de suspensão foi aplicada. Conjeturo que a escola (e a equipa que acompanha o aluno) terá tentado de tudo para harmonizar a inclusão deste aluno.

  • Agora pergunto-vos: 
Conseguem imaginar o que as pessoas que trabalham com este menino já sentiram ou sentem?! 
Eu consigo e digo-vos mais quem ama a camisola que veste sofre muito com estas situações... e quando falamos do dito "acompanhamento do especialista" falamos certamente de um professor de Educação Especial. 

  • Sugiro:
Atenção ao título desta notícia. A hiperatividade por si só não é justificação. Não julguem sem antes saber quais os antecedentes!



segunda-feira, 21 de maio de 2012

Síndrome de Down: Seleção lusa campeã do mundo

A seleção portuguesa de atletismo para atletas com síndrome de Down sagrou-se, este domingo, campeã do mundo da modalidade. A competição decorreu durante três dias no Estádio João Paulo II, em Angra do Heroísmo nos Açores, e Portugal foi o grande vencedor, deixando para trás desportistas de 12 países. 
"Era um sonho que acalentávamos. Vir aos Açores, organizar o segundo campeonato do mundo em nossa casa e, se possível, ter a cereja no topo do bolo e ela está aqui", afirmou o selecionador nacional, Costa Pereira, em declarações à Lusa.
A atleta Maria João Silva, natural do Pico, esteve em grande destaque ao conquistar três medalhas de ouro. As medalhas foram obtidas nas provas de 1.500 e 800 metros marcha e em estafeta e deram uma contribuição decisiva para o resultado final, ajudando a colocar Portugal no cimo da classificação.
«Ela é campeã da Europa e duplamente campeã do Mundo», salientou Costa Pereira, lembrando que a atleta açoriana do Centro de Atividades Ocupacionais da Santa Casa da Misericórdia da Madalena, na sua ilha natal, detém os recordes em todas as distâncias.
Depois de todas as provas disputadas, Portugal somou um total de 334,5 pontos, contra os 196,5 da Venezuela, segunda classificada, e os 169 da África do Sul, que ficou em terceiro lugar no mundial.

A próxima edição do Campeonato do Mundo de Atletismo para atletas com síndrome de Down realiza-se dentro de dois anos, desta vez na África do Sul.

sábado, 19 de maio de 2012

Encarar o erro noutra perspectiva



Porque é que, às vezes, existe tanta dificuldade por parte da criança em enfrentar ou em lidar com o erro? Porque é que ela por vezes desiste de tentar, fica sem vontade de realizar as tarefas, fica “presa” na frustração, promete que vai fazer e depois não faz, mente, tenta tudo para evitar a confrontação…?Como encarar o erro noutra perspectiva? 

Quem é que não comete erros, especialmente uma criança? Já Jean Piaget (1896-1980), psicólogo e biólogo suíço, dizia que as crianças estão constantemente a pôr à prova as suas próprias ideias sobre o que as rodeiam. E disto resultam erros como é evidente. O errar e o aprender caminham lado a lado e não há dúvida de que as crianças nascem com sede de aprender. Os seus comportamentos servem o seu desejo de conhecimentos, de pesquisa e de curiosidade intelectual. Todos os seus circuitos neuronais estão predefinidos neste sentido. Então porque é que, às vezes, existe tanta dificuldade por parte da criança em enfrentar o erro?

Muitas vezes, é a incoerência, repetida e persistente,manifestada com o que a criança está a sentir com um determinado comportamento, que lhe é imposto ou atitudes por parte do adulto que desvalorizam a sua tentativa, que acaba por bloquear o seu desejo de aprender. Insidiosamente, vão-se formando bloqueios nos seus processos emocionais, que permanecem bem vivos na mente da criança à espera de serem expressados e finalizados, que lhe retiram a “energia” necessária para se dedicar ao prazer de aprender.

O caro leitor deve provavelmente estar a perguntar-se a si próprio, tendo em conta o parágrafo anterior, se não serão os adultos os principais responsáveis (de forma não consciente) pelos comportamentos inadequados da criança em lidar com os erros? Sim sem dúvida que são! Porque a criança precisa do adulto para sentir-se apoiada na sua tentativa de ultrapassar a sua dificuldade. É preciso ter sempre presente que é a criança que se encontra em crescimento e as atitudes do adulto próximo dela, quer se queira quer não, são determinantes para isso.

Quando a criança erra e para que ela mantenha, canalize, a sua energia para continuar a manifestar o seu desejo de aprender, não é aconselhável incutir-lhe medo, humilhações, gritos, dramatizar ou fazer comparações que a façam pensar que os outros são melhores do que ela. Uma boa forma para se evitar esta situação consiste em dar-lhe a atenção necessária para que ela se possa expressar, possa manifestar o seu desagrado, a sua frustração, sem tentar querer evitar o que está a sentir, mas, sim, ajudá-la a aceitar o facto. Esta maneira de agir, sempre sem a querer julgar, criticar, ou humilhar demonstra um interesse sincero por aquilo que a criança está a sentir e/ou nos está a dizer. Portanto, deve evitar-se a todo o custo interromper a criança quando ela começa a falar do seu problema impedindo-a, assim, de continuar a expressar-se. Claro que a intenção é boa mas tem um impacto contraproducente na criança: as incoerências acumulam-se originando nela crescentes mal-estares que emnada alimentam nem a sua autoestima nem a sua autoconfiança. Contudo, é fundamental que ela obtenha esta“alimentação” psicológica para ter energia e estar, assim, mais motivada para enfrentar os seus erros e aprender com eles.

COMO SE PODE AGIR, ENTÃO, MAIS DETALHADAMENTE, COM UMA CRIANÇA?

Como primeiro passo, um olhar afectuoso permite à criança sentir-se compreendida e aceite no seu erro. Em certas situações, um abraço caloroso, do pai ou da mãe, é uma mais-valia para ela se sentir mais segura. A seguir pode-se ajudá-la a identificar e a verbalizar aquilo que está a sentir, por exemplo: “Estás triste!” ou ainda “Vejo que estás aborrecida, frustrada ou com medo.” E depois desta identificação emocional e da sua expressão, perguntar-lhe, por exemplo: o que é que ela acha da sua experiência, quais são as conclusões que se podem retirar, o que é que não correu bem? Desta forma, a criança ficará mais preparada para tirar proveito da sua experimentação, reflectir sobre a mesma e, indeclinavelmente, ficar mais motivada para a tentar novamente! Em certos casos, ela pode não saber como actuar e só depois de se lhe ter dado esta oportunidade de se expressar se deverá mostrar-lhe o caminho mais adequadopara o fazer. Mesmo assim, à medida que a orientação for desenvolvida é conveniente estar sempre atento ao que a criança possa estar a sentir e dar-lhe espaço suficiente para se expressar ficando-se sempre vigilante à forma como ela reage e actuar sobre isso antes de continuar com o assunto. PORQUÊ TANTO CUIDADO? Porque se a criança se “desliga” mentalmente da conversa e se a mesma se mantiver ou se impor, então esse diálogo, torna-se infrutuoso. Se o adulto não se aperceber destas situações fica com a sensação de ter feito algo de bom mas que não corresponde à realidade. Um exemplo disto são os “sermões” que os nossos pais nos davam e que ao fim de 10 segundos já não estávamos a ouvir nada … de que serve um sermão se quem o ouve não o escuta?

No contexto escolar, o documentário da reportagem supra, sobre um actual estudo francês, revela o interesse pelo erro para se aprender e, ao mesmo tempo, o impacto do medo de errar nas crianças. A conclusão, na sua forma ainda hipotética, é que se a escola ensinasse à criança o andar de bicicleta, da mesma forma que a criança é enquadrada para aprender certos conteúdos, ou seja sem nunca cair nem errar, ela teria muita dificuldade em aprender a andar de bicicleta, ou mesmo até algumas nunca aprenderiam.




quinta-feira, 17 de maio de 2012

Associação reclama leitura de exames para disléxicos

A Associação Portuguesa de Dislexia (Dislex) considera que a decisão do Júri Nacional de Exames (JNE) de recusar a leitura do enunciado da prova a alunos disléxicos prejudicará milhares de estudantes. A Dislex fez uma petição onde exige a alteração das orientações. 

Perante o caso de uma aluna disléxica a quem o JNE recusou apoio na realização dos exames de 9.º ano; a Dislex lembra os estudantes do secundário, que estão prestes a realizar exames de acesso ao ensino superior. 

“Apesar de isso não estar legislado, é prática corrente nos exames de 9.º, 11.º e 12.º anos a prova ser lida a um disléxico, precisamente como é lida a alguém que tenha cegado recentemente”, disse ao PÚBLICO Helena Serra, presidente da Dislex, sublinhando que "a mudança vai ter efeitos dramáticos” na vida desses alunos.

Num documento que circula em forma de petição e que foi enviado a várias entidades, entre as quais a Assembleia da República e o Ministério da Educação, a presidente da Dislex considera que a decisão do JNE revela "total alheamento” em relação às características e necessidades” de alunos com dislexia. “O seu principal problema reside precisamente na compreensão da leitura (lentidão, hesitações, alterações, confusão ou não articulação das ideias com desfocagem de respostas); no bloqueio emocional e possível desistência que a pressão da situação lhes causa." argumenta. 

Helena Serra, investigadora, professora e autora de várias obras sobre psicopedagogia especializada, foi precisamente a autora da "Ficha A" – que é validada pelo JNE e procura garantir que os alunos com dislexia não são penalizados por erros ou omissões cometidos na resposta escrita às questões. A investigadora assegura, contudo, que aquele instrumento é “insuficiente” e considera “incompreensível” que seja recusada a leitura da prova a alunos que, “com também essa adequação, revelam os saberes exigidos e, às vezes, uma ainda maior criatividade do que os outros, em geral”.

Outros casos

Segundo a dirigente da Dislex, apesar de o caso da menina do 9.º ano a quem foi recusada a leitura do teste ter sido mais mediatizado, “a preocupação é vivida em milhares de escolas e de famílias”. Para a explicação do problema e da forma como ele é sentido remete para um requerimento apresentado ao JNE por uma professora de uma escola do ensino secundário, que, nota, tem investigação aprofundada “na área da compreensão leitora” dos disléxicos.

No texto em que reitera o pedido de leitura de prova para dois dos seus alunos, um do 11.º, outro do 12.º ano, aquela docente, Maria de Fátima Almeida, admite que “poderá haver alunos disléxicos que, devido a uma intervenção precoce adequada, tenham desenvolvido todas as competências instrumentais necessárias a uma leitura compreensiva”. Sublinha, contudo, que “partir-se do princípio de que todos os alunos disléxicos desenvolveram essas competências e, portanto, compreendem o que lêem, vai contra aquilo que os estudos centrados na compreensão da leitura, nomeadamente de alunos disléxicos, mostram”. 

“Os alunos que frequentam o 3.º ciclo e o ensino secundário, até já poderão efectuar uma leitura aparentemente fluente e com uma velocidade próxima do esperado”, mas “mantêm uma dificuldade particular em descodificar palavras que não encontraram antes, e, em geral, têm dificuldades persistentes com a consciência fonológica, nomeação rápida e tarefas verbais de memória de curto prazo”, refere Maria de Fátima Almeida no documento. Aqueles défices, explica, resultam do facto de “a descodificação ocorrer não por automatização, mas como resultado de esforço”.

Os dois alunos desta docente, em particular, têm beneficiado da leitura dos enunciados ao longo do percurso escolar. Segundo explica na nota enviada ao JNE, com base na legislação que prevê adequações do processo de avaliação de alunos com necessidades educativas especiais de carácter permanente (Decreto-Lei n.º 3/2008). 

Aquela é, contudo, outra questão pouco pacífica, na medida em que, como refere Helena Serra, “a legislação não define que a dislexia é uma capacidade permanente”. “Os dados científicos indicam que sim, que ainda que os problemas sejam atenuados, nunca são completamente resolvidos. Para além disso, têm de ser tido em conta os diferentes graus de gravidade da dislexia”, diz Helena Serra. Realça, a propósito, que “não é por acaso que, ao adequarem as formas de avaliação a cada um dos alunos, os professores, nas escolas, têm entendido que muitos dos que têm dislexia necessitam, entre outros apoios, da leitura orientada”.O JNE tem outra perspectiva, como se percebe da apreciação que faz numa nota enviada à comunicação social, a propósito da queixa da mãe da criança a quem foi negada a leitura do enunciado. Nela escreve, de forma crítica, que “algumas escolas generalizavam certas condições especiais de realização das provas de uma forma pouco criteriosa, em particular a medida ‘leitura de enunciado por um professor’”.

Dizendo basear-se na legislação em vigor, o JNE determina que nas provas nacionais os alunos com dislexia podem usufruir de uma tolerância de 30 minutos, além do tempo fixado para as provas; e ainda que são classificados de forma específica, com base na “Ficha A”. É taxativo na afirmação de que àqueles estudantes, “cujas provas de avaliação externa são já classificadas com o apoio da Ficha A (…), não pode ser autorizada a leitura dos enunciados”.

Aquela ficha contém informação relativa às dificuldades específicas de cada aluno disléxico, podendo ser assinalados, na área da expressão escrita, campos associados ao desenvolvimento linguístico, à ortografia, aos traçados grafomotores e à linguagem quantitativa”. Em todos estes campos, sempre que são assinalados com dificuldades específicas da dislexia de cada aluno, “o professor classificador pode adaptar os critérios de classificação das provas de forma a não penalizar o aluno pelos erros ou omissões cometidos”, aponta o JNE.

Em resposta ao PÚBLICO, o JNE esclarece que "aos alunos disléxicos do ensino secundário não será autorizada a leitura do enunciado das provas de exame, à semelhança do que acontece há vários anos. Em anos transactos existiram autorizações nesse sentido em casos muito pontuais e excepcionais". Assim, o JNE pode autorizar a aplicação da 'Ficha A' e a tolerância de 30 minutos. "Em casos muito particulares o JNE autoriza mais 15-30 minutos", acrescenta.

O PÚBLICO perguntou ainda ao ministério quantos pedidos foram feitos, recusados e autorizados para leitura da prova para alunos disléxicos mas o ministério não respondeu.


Fonte: Público

terça-feira, 15 de maio de 2012

Implante ocular permite recuperar a visão

Cientista Eberhart Zrenner e a empresa Retina Implant AG desenvolveram um implante ocular capaz de recuperar a visão de quem sofre de retinite pigmentosa .

A empresa alemã Retina Implant AG desenvolveu um dispositivo ocular que permite a algumas pessoas com retinite pigmentosa e que perderam a visão, passarem a ver e a identificar objetos.

Este dispositivo consiste numa plataforma eletrónica, com três milímetros quadrados, que é revestida por 1500 sensores que reagem à luz. Cada sensor ativa um pulsar eletrónico que estimula os nervos ligados ao cérebro. Os pacientes veem uma imagem rudimentar a preto e branco.

O cientista alemão Eberhart Zrenner liderou a pesquisa e afirma que "as funções visuais dos pacientes podem, em princípio, ser restauradas até um grau suficiente de uso para o quotidiano."

Eberhart Zrenner, que é o presidente da Retina Implant, disse ainda que espera melhorar a imagem que o dispositivo disponibiliza. "O nível de visão é rudimentar mas estamos a falar de pôr alguém que é completamente cego a andar por aí sem a ajuda de um cão-guia", acrescenta.

Nova esperança contra a perda de visão

O dispositivo foi testado em três pacientes alemães que foram capazes de ver objetos como um copo, um pires e uma banana. Um deles foi capaz de ler o próprio nome, andou sozinho pela sala, identificou a hora num relógio e distinguiu sete tons de cinzento.

Os três alemães em que este dispositivo foi testado sofrem de retinite pigmentosa, um problema genético que afeta as células na retina e que gradualmente leva à total perda de visão.

A cirurgia que irá colocar o implante nas retinas dos três pacientes de forma definitiva está marcada para daqui a alguns dias.

Esta investigação científica foi elaborada apenas para as vítimas deste problema oftalmológico.

Fonte: Expresso