segunda-feira, 9 de abril de 2012

Autismo pode estar ligado a obesidade na gravidez

A obesidade durante a gravidez pode aumentar as probabilidades de a criança nascer com autismo, diz um estudo da Universidade da Califórnia, o primeiro publicado que estabelece uma relação entre a obesidade e o autismo infantil.
De acordo com o estudo, uma mulher que esteja obesa durante a gravidez tem mais 67 por cento de probabilidade de ter um filho autista do que as mulheres sem excesso de peso. As mulheres obesas enfrentam também o dobro do risco de terem filhos com outros tipos de atrasos no desenvolvimento mental. 

Em média, uma em cada 88 mulheres saudáveis pode ter um filho autista. Probabilidade que aumenta para uma em cada 53 quando se trata de mulheres obesas durante a gravidez.

Apesar de não provar que a obesidade é uma causa directa para o autismo, os autores asseguram que os resultados do presente estudo aumentam preocupações no seio da saúde infantil devido aos elevados níveis de obesidade nos EUA.

Fonte: Sol

Pais e investigadores dividem-se quanto à importância dos TPC

Em Portugal, pais, psicólogos e professores dividem-se: há os defensores dos trabalhos para casa (TPC) e há quem não veja vantagens em obrigar as crianças a fazê-los. 


Uns consideram-nos fundamentais para incutir hábitos de trabalho e autonomia no estudo, outros acham-nos excessivos, contraproducentes e até potenciadores de desigualdades entre as crianças na medida em que umas podem beneficiar da ajuda dos pais e outras não.

O debate reacendeu-se com o recente boicote de uma associação de pais franceses aos TPC. Alegam estes pais que são cansativos e, se a criança já aprendeu a matéria na escola, então mais vale ler um livro em casa. Se não aprendeu, não vai ser em casa que o vai fazer. Vai daí declararam uma greve de duas semanas aos deveres para casa. Dias depois uma associação espanhola de pais subscreveu a posição. Os trabalhos para casa estão proibidos em ambos os países para as crianças com idades compreendidas entre os seis e os 11 anos. Apesar disso, os professores franceses e espanhóis continuam a insistir nessa prática. 

Para o professor de Psicologia da Universidade do Minho e autor de livros sobre educação, Pedro Sales Rosário, os TPC têm uma função instrutiva e de promoção de autonomia: "As aulas são importantes, ensinar é importante, mas aprender é apropriarmo-nos dos conhecimentos. E essa apropriação é pessoal", sustenta, notando que tal acontece no estudo e nos TPC. E estes são um "termómetro": "Quando um aluno se empenha e não consegue fazer, leva as dúvidas para a aula. Existe um feedback do trabalho do aluno e do professor".

Pedro Santos, com uma filha de sete anos, questiona se ter os pais "à mão" não será "a pior das formas de promover a autonomia". Em casa vê o que a Mafalda sabe ou não fazer e ajuda "com dúvidas simples". "Não creio que caiba aos pais - não me cabe certamente a mim, que não tenho competências pedagógicas para tal - substituir o papel da professora".

Cultura de trabalho

Pedro Sales Rosário concorda que "os pais não têm de ser professores": "Pode explicar-se coisas mínimas, mas é melhor dizer-lhes para perguntar ao professor no dia seguinte do que dar-lhes a solução".

Importante é perceber "por que é que a criança não sabe fazer aqueles trabalhos de casa". "Não apanhou a matéria? Esteve desatento? A pensar em quê? Por que é que não perguntou à professora? É tímido?"

Luís Marinho, coordenador do projecto "Estudar dá Futuro" - iniciativa da associação de pais do Externato de Penafirme que se organizou para apoiar voluntariamente alunos no estudo -, não vê "drama" nos TPC. Pelo contrário: "Se tiverem desde cedo uma cultura de esforço e de trabalho, mais preparados vão estar para enfrentar a realidade".

Marinho considera que as desigualdades no nível cultural e económico das famílias não acabam com o fim dos TPC e não vê razões para "embaraços". "O pai até pode nem saber ler nem escrever, mas sabe se o filho está no Facebook ou com um livro nas mãos. Há um sinal de disciplina que os pais têm de passar", defende este pai, que tem uma filha no ensino básico e outra no 8.º ano.

Também a presidente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação, Maria José Viseu, entende que os TPC "obrigam as crianças a organizarem-se".

Ritmo de vida

Há porém a questão do tempo que as famílias têm para dedicar a estas tarefas. Pedro Sales Rosário admite que os pais chegam cansados a casa, mas insiste no esforço: "Também posso optar pela comida pré-feita, é mais rápida, estou sem tempo para cozinhar, mas depois os miúdos engordam. Também nos TPC há uma dieta de trabalho para que não tenham problemas depois".

Quem se revê na posição dos pais franceses é Eduardo Sá, professor universitário e psicólogo clínico especializado em psicologia infantil e juvenil: "É um levantamento muito bonito". Em 2005, Eduardo Sá foi um dos promotores do Sindicato das Crianças e uma das iniciativas foi precisamente uma greve aos TPC. Pretendia-se alertar para a importância do tempo para brincar. 

Eduardo Sá frisa que "mais escola não é obrigatoriamente melhor escola". "As crianças têm blocos de aulas de 90 minutos, muitas actividades extracurriculares. É penoso chegarem a casa e, entre o banho e o jantar, fazerem TPC. Exaustos, não vão aprender, mas desenvolver um ódio de estimação à escola". O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, Albino Almeida, também questiona: "Se na sala de aula não conseguem consolidar os conhecimentos, se no estudo acompanhado não fazem os TPC, vão fazer em casa?". 

Apesar de não ter uma posição "fundamentalista", o coordenador do departamento de Psicologia Educacional do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, José Morgado, não simpatiza com os TPC. Sobretudo nas idades mais baixas, "o bom trabalho na escola" devia dispensá-los: "É uma questão de saúde e qualidade de vida", escreve no blogue Atenta Inquietude. Morgado distingue o Trabalho para Casa e o Trabalho em Casa: "O TPC é trabalho da escola feito em casa, o trabalho em casa será o que as crianças podem fazer em casa que, não sendo tarefas de natureza escolar, pode ser um bom contributo para as aprendizagens dos miúdos".

Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, garante que os professores são incentivados a não mandarem todos os TPC "em simultâneo" e a evitarem tarefas que os alunos "não consigam fazer sozinhos e que possam potenciar as desigualdades".

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Leitura dos enunciados de provas de aferição e de provas finais de ciclo do ensino básico para alunos com necessidades educativas especiais

"O Júri Nacional de Exames acaba de emitir a Mensagem n.º 6/JNE/2012 relativa à leitura dos enunciados de provas de aferição e de provas finais de ciclo do ensino básico para alunos com necessidades educativas.

Reforça a ideia de que os alunos com necessidades educativas especiais só excecionalmente devem realizar as provas de avaliação externa em sala à parte, separados dos restantes examinandos, para lhes ser aplicada a condição especial (leitura de prova) e indica os potenciais destinatários desta medida, designadamente: os alunos cegos que cegaram recentemente e ainda não dominam com fluência a leitura braille, os alunos com baixa visão que têm muita dificuldade em ler texto ampliado no computador ou com limitações motoras severas muito incapacitantes que se traduzem em grande morosidade na leitura dos enunciados; os alunos com limitações severas do domínio cognitivo que necessitam de assistência e orientação por parte de um dos professores aplicadores/vigilantes. Por outro lado, impossibilita a aplicação desta medida aos alunos disléxicos.

Nos casos excecionais, em que a leitura de prova vier a ser homologada, deve o Diretor da escola ter em consideração que:

1- A leitura dos enunciados das provas tem de ser efetuada individualmente a cada aluno por um dos professores vigilantes que não lecione a disciplina em avaliação;

2- Nunca, em caso algum, pode ser permitido que um docente efetue a leitura da prova, em voz alta, para o conjunto de alunos da sala;

3- Esta medida só pode ser aplicada se constar do programa educativo individual do aluno e que dela tenha usufruído na avaliação sumativa interna ao longo da sua escolaridade.

Parece-me descabido que haja tanta preocupação em regulamentar e normalizar as situações, esquecendo-se que, por natureza, cada aluno com necessidades educativas especiais é atendido de acordo com a sua singularidade. Logo, desde que as medidas e as estratégias estejam definidas e adequadas ao perfil de funcionalidade, devem ser aplicadas. Trata-se de um paradoxo definir e aplicar um conjunto de medidas e estratégias ao longo do ano letivo quando são liminarmente postas de parte no momento da realização das provas de aferição ou das provas de exame. 
Esta crítica aplica-se, também, à situação dos alunos disléxicos. Sendo a dislexia uma incapacidade específica de aprendizagem, de origem neurológica, caracterizada por dificuldades ao nível da leitura, repercute-se diretamente ao nível da leitura compreensiva. Logo, ao impossibilitar a leitura dos enunciados, prática corrente nestes casos, prejudica-se a criança ou do jovem, expondo-o ao mais que provável insucesso.
O JNE tem assumido uma atitude clara de normalização das situações e dos procedimentos a adotar na realização das provas de aferição e de exame dos alunos com necessidades educativas especiais sem ponderar as suas especificidade, impondo limitação das medidas educativas que roçam a violação dos normativos."

Fonte: Incluso

Loulé assinalou Dia Mundial da Consciencialização do Autismo


A Câmara Municipal de Loulé aderiu à iniciativa «Light It Up Blue» que se assinalou na passada segunda-feira, no âmbito do Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, visando sensibilizar a população para esta perturbação.

Assim, à semelhança do que aconteceu em inúmeros monumentos, por todo o mundo, em especial nos principais edifícios das grandes capitais, Loulé teve o Monumento ao Engº Duarte Pacheco iluminado com a cor azul.

Este movimento consistiu na iluminação em azul de vários monumentos no mundo inteiro (Empire State Building, Cataratas do Niagara, entre outros) com o objetivo de sensibilizar toda a população para o tema do autismo, uma perturbação que está cada vez mais em foco por todo mundo mais consciente e mais informado.

Esta iniciativa (http://www.lightitupblue.org) foi promovida pela Associação Vencer Autismo, cuja meta passa por ajudar pais e crianças autistas, fornecendo informação, meios e apoio terapêutico e psicológico a todos aqueles que direta ou indiretamente convivem com pessoas portadoras da disfunção.

Fonte: DiáriOnline Algarve

Desporto Adaptado

Aliadas as minhas duas áreas, gostaria imenso de estar presente. Preciso de companhia!!

CONVITE

“WORKSHOP´S “DESPORTO ADAPTADO” - 2ª EDIÇÃO

A Associação Portuguesa de Deficientes, em parceria com a Faculdade de Motricidade Humana, vai realizar no dia 28 de Abril, no pavilhão da Faculdade de Motricidade Humana, o Workshop’s “Desporto Adaptado” – 2ª Edição

Programa - Workshop's Desporto Adaptado



Titulo: Workshop's - Desporto Adaptado - 2ª Edição

Quando: 28.04.2012 09.30 h


Mais informações em APD.


Inquérito revela que 15,7% dos alunos já foram vítimas de ciberbullying

O docente da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC) João Amado considerou hoje que “ainda há muito a fazer” junto dos professores, mas sobretudo dos pais, sobre a problemática do ciberbullying. 
“Julgamos que há ainda muito a fazer junto dos professores, mas sobretudo junto dos pais. Os professores começam, aos poucos, a ser sensíveis a estas problemáticas, penso que o grande trabalho é chegar à comunidade em geral e, muito em especial, às famílias”, afirmou, à margem da apresentação dos primeiros resultados do estudo Cyberbulliyng – um diagnóstico da situação em Portugal, que decorreu hoje no auditório da FPCEUC. 

Na sua perspectiva, em Portugal verifica-se “um atraso em acções e iniciativas dirigidas aos pais”, comparando com o que acontece noutros países. 

“É uma das áreas onde é preciso fazer alguma coisa”, frisou João Amado, coordenador do estudo. 

Apresentado numa conferência internacional sobre o desenvolvimento profissional dos formadores de professores, que decorre até amanhã, o estudo abrangeu, numa primeira fase, 339 alunos dos 6.º, 8.º e 11.º anos de escolas das regiões de Lisboa e Coimbra – explicou Armanda Matos, uma das docentes envolvidas no projecto. 

Segundo estes primeiros dados, 15,7% dos inquiridos dizem já ter sido vítimas deciberbullying e 9,4% admitiram ter sido agressores, usando tecnologias de informação e comunicação para agredir os colegas. 

De acordo com a professora universitária, os meios mais utilizados foram a mensagem instantânea, o SMS (através de telemóvel e Internet) e as redes sociais (com destaque para o Hi5 e Facebook). 

O projecto, envolvendo as universidades de Coimbra (UC) e Lisboa e contando com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia, abrangeu também “uma pequena amostra” de 261 alunos das faculdades de Psicologia das duas instituições. 

Treze por cento dos estudantes universitários inquiridos dizem que foram vítimas, um por cento foram agressores e 88% foram testemunhas de ciberbullying – revelou a docente Teresa Pessoa, explicando que a maioria dos problemas relatados se situam na adolescência, sobretudo no ensino secundário. 

Na perspectiva de Armanda Matos, a preparação dos professores “é essencial”, devendo orientar-se sobretudo para a prevenção e para a intervenção e também para intervir na comunidade educativa na formação de alunos e de pais. 

O estudo foi apresentado numa sessão intitulada “Do bullying ao cyberbullying: investigação e intervenção”, que compreendeu a análise da “dimensão desta nova forma de violência em Portugal, as diferentes facetas que o fenómeno apresenta e as estratégias para os responsáveis educativos lidarem com a situação”, refere a nota de imprensa sobre o evento. 

O encontro científico (4th Winter Conference of the Association for Teacher Education in Europe - ATEE) a decorrer em Coimbra é uma organização conjunta da Universidade de Coimbra e do “MOFET Institute de Tel Aviv (Israel, reunindo investigadores de 31 países).

Fonte: Público

domingo, 1 de abril de 2012

Português cria sistema de localização "low-cost"

Um investigador português desenvolveu um sistema de localização de baixo custo que pode ser aplicado a pessoas, bens e animais. Luís Figueiredo, docente do Instituto Politécnico da Guarda (IPG) e coordenador do projeto Magic Tracking, explica que o dispositivo foi criado a pensar, especialmente, "em pessoas que sofrem de Alzheimer, que facilmente perdem o sentido de orientação, deixam de conhecer os locais onde estão e se perdem".

O Magic Tracking é, portanto, um dispositivo "de localização para pessoas ou bens que utiliza o sistema global de posicionamento através de satélite, mais conhecido por GPS", conta o seu criador à agência Lusa. Segundo Luís Figueiredo, o sistema "funciona como um relógio" e permite, por exemplo, aos familiares, detetar o paradeiro das pessoas desaparecidas, visualizando a sua localização no computador, através do Google Earth. 

Apesar de ter a ideia inicial ser destinada à localização de familiares, Luís Figueiredo acredita que o dispositivo poderá ter também grande utilidade para instituições que cuidam de idosos e estão preocupadas com a segurança dos utentes. Através da aplicação daquele sistema durante saídas e passeios, por exemplo, os vigilantes saberiam "sempre onde é que estava cada uma das pessoas".

De acordo com o coordenador, o Magic Tracking tem ainda potencialidade para, no futuro, ajudar caçadores a evitar o extravio de cães durante as caçadas. "Com um dispositivo destes acoplado à coleira do cão, facilmente podem recuperar o animal e isto sempre a custos extremamente reduzidos", observa.

Na verdade, é o preço a maior vantagem deste equipamento. Embora, admite Luís Figueiredo, o sistema não seja "uma novidade", distingue-se pelos "preços" e pelas "funcionalidades", permitindo proteger familiares, amigos, animais, automóveis e outros bens com custos anuais "extremamente baixos". 

O responsável adianta que os equipamentos são comercializados pela empresa MagicKey, sediada no IPG, a preços que variam entre 100 e 150 euros. A companhia disponibiliza muitas outras aplicações, como a MagicEye ou a MagicWheelChair, todas destinadas a melhorar a qualidade de vida dos cidadãos com deficiência.

A Lição do Silêncio

Desde o ano letivo 2004/2005, ano do meu estágio na minha formação de base - Educação Física, que recebo a Newsletter do Lerparaver, isto porque esse ano foi um ano de muita aprendizagem e nela incluo a experiência (que não tinha, nem de longe) de ter um aluno invisual numa aula de Educação Física. Um miúdo muito persistente, ambicioso e, acima de tudo, lutador. E provavelmente, a ele devo o rumo que tomei no ensino.

Hoje, ao receber essa Newsletter, resolvi clicar e fiquei encantada com algumas das lições de vida que por ali são contadas.

Quero partilhar convosco um poema "Lição do Silêncio", de um rapaz surdocego, Marco Poeta.

Sozinho eu queria caminhar com o auxílio da bengala branca,
Mas ouço mal e acabo inseguro no passeio,
Sem saber quando posso atravessar a rua parado no meio…
Custa-me saber quando o carro pára ou avança…

Ai, se eu pudesse voar desta maldita gaiola dourada!
Não sou feliz preso e dependente dos outros para tudo…
Pior do que ser cego é ser surdo!
Muito do essencial me escapa e me deixa a alma destroçada…

Foi uma alegria sem igual
Todo o amor e esforço da minha família
Para eu voltar a ouvir com uma biónica cóclea
A doce maravilha do som que transformou o meu visual!

Ah, que emoção sem comparação vibrando no meu coração!
Muito amo a minha família que me apoia nos maus momentos.
Sem ela não se mitigavam os meus tormentos,
E a surdez era a mais execrável solidão, uma desolação!

Apesar desta felicidade imensa,
Continuo a ter muitas dificuldades em ouvir…
O caminho que tanto desejo por mim descobrir
Está cheio de obstáculos como a floresta densa…

E fico preso aos outros contra minha vontade…
Juro que não consigo ir sozinho onde gostava de ir.
Mesmo que os ame, livre gostava de ir…
No mundo não há nada mais sagrado do que a liberdade!

Liberdade para ser feliz.
Liberdade como fazes falta!
Oh, liberdade! Até o Poeta te exalta!
Liberdade de locomoção é o que sempre quis…

É a febre de quem se sente preso,
Pois que nado para voar fui feito
Assim o defendo como um natural e básico direito.
Mas como sou surdocego é apenas um desejo…

Seria uma realidade se eu não fosse surdo,
Os meus ouvidos seriam os meus olhos
E não teria estes chatos abrolhos.
O cego ouve, o surdo vê e o surdocego tem de tocar tudo.

Assim é a minha vida.
Com a urgência de tocar e de sentir.
E imagino o que está longe do meu sentir
É o sonho de uma imagem há muito perdida.

Muitas pessoas não falavam comigo por receio,
Pois eu não as ouvia e tinham de me escrever na mão.
Agora ouço-as e é possível mantermos uma conversação.
Mas quando são várias pessoas de ruído fico cheio…

O emprego para o surdocego é mais difícil que para o cego
Que pode ter um cão-guia e uma audição apurada,
Essa serve-lhe de orientação e de escada.
Feliz dele que pode o que não pode o surdocego…

Ouvir é o que tanta falta me faz…
Esbarro muitas vezes com a inacessibilidade,
Mas com o Braille e a tecnologia consigo alguma igualdade
E de muitas coisas já sou capaz!

Mas é pena não poder ter mais…
E se parasse de cismar na desgraça?
E se me deleitasse com o buliço da praça?
A vida é feita de subtilezas que os alegres valorizam como especiais!