domingo, 6 de novembro de 2011

Separação conflituosa dos pais gera atrasos no desenvolvimento cerebral dos filhos

Todos os dias, 72 casais divorciam-se em Portugal. Muitos têm filhos e não são raros os casos em que as crianças são envolvidas no conflito. As sequelas podem ser graves.

A falta de um clima de segurança e de serenidade na infância deixa marcas na criança, cicatrizes na "anatomia e na fisiologia do seu sistema nervoso central, difíceis de fazer desaparecer", assegurou o psiquiatra e psicanalista Emílio Salgueiro na conferência sobre o Superior Interesse da Criança que decorreu na quinta e na sexta-feira, em Lisboa. 

A neurociência moderna demonstra que os bebés criados por pais que não lhes proporcionaram um clima de segurança e de serenidade "mostram um atraso na maturação cerebral", contribuindo para que neles se instale "uma situação de stress permanente, lesando o cérebro e impregnando as vivências da criança de insegurança, aflição e desorganização", alertou Emílio Salgueiro, a propósito da discussão acerca do interesse da criança nos processos de separação dos pais.

SAP. Desde a década de 80 que esta sigla passou a ser usada nos tribunais e em relatórios médicos no âmbito dos processos de regulação das responsabilidades parentais. Introduzida pelo pedopsiquiatra americano Richard Gardner, SAP corresponde à "síndrome de alienação parental" e aplica-se a situações em que as crianças, filhas de pais separados, se recusam a estar com um dos pais, do qual por vezes têm uma imagem distorcida, devido à manipulação do outro. Habitualmente, o termo é utilizado para designar a manipulação da criança pela mãe para a afastar do pai. 

A opinião acerca da existência desta síndrome não é unânime e tem sido particularmente contestada por grupos ligados à defesa dos direitos das mulheres e contra a violência doméstica, que consideram que, em muitos casos, as crianças não podem conviver com os pais por suspeitas de que eles são os agressores das crianças, nomeadamente em situações de abuso sexual.

Este entendimento é rejeitado pelos defensores da igualdade de direitos quanto à tutela dos filhos, entre os quais se contam muitos homens que se dizem discriminados pelos tribunais, que os impedem de exercer o direito da guarda dos filhos.

O assunto esteve nos últimos dois dias em debate, em Lisboa, na conferência internacional intitulada O Superior Interesse da Criança e o Mito da Síndrome de Alienação Parentalorganizada pela Associação Portuguesa de Mulheres Juristas, pelo Instituto de Apoio à Criança, pela Universidade Católica Portuguesa e pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. 

Os dados mais recentes do INE revelam que há quase 26.500 divórcios por ano, em Portugal, uma média de 72 por dia. Em grande parte dos casos, as separações são acompanhadas de conflitos cujos efeitos afectam, sobretudo, os filhos. 

E foi esta questão que o psiquiatra Emílio Salgueiro aprofundou na sua comunicação. "O superior interesse das crianças seria o de que não tivesse que haver regulação das responsabilidades parentais", começou por dizer. Notou que um dos direitos naturais da criança é o de "terem um pai e uma mãe que as desejem e que as amem (...)", um amor a que chama de "encantamento fundador". 

Quando se chega a um processo de regulação das responsabilidades parentais, "já houve muita coisa que correu mal ou mesmo muito mal, entre os pais, um com o outro, entre os pais e a criança, entre este trio fundamental e a sociedade", salienta. Esse direito nuclear de toda a criança "foi ficando pelo caminho, mais ou menos maltratado, mais ou menos danificado".

As "vicissitudes, positivas e negativas, que vão ocorrendo no casal acompanham-se de vicissitudes paralelas na relação com o filho", observa o psiquiatra, explicando que a neurociência moderna demonstra que os bebés que cresceram num clima sem segurança e serenidade "mostram um atraso na maturação cerebral, em especial dos lobos pré-frontais, com alterações neuronais e diminuição da taxa de serotonina, neurotransmissor fundamental, reequilibrador dos estados de ânimo e de desânimo, propulsor da força de viver e do prazer em estar vivo". E, sem a base de "apoio seguro", instala-se "uma situação destress permanente, lesando o cérebro".Salgueiro identifica três grandes momentos traumáticos que afectam a criança no seu desenvolvimento emocional: o "clima parental e social precoce negativo", a separação dos pais e as decisões que acompanham a separação, como a "gestão das guardas parentais". O acumular destas várias angústias pode ter um efeito "catastrófico", a menos que "surja uma intervenção exterior revigorante" e "portadora de esperança". E é nesse sentido que Emílio Salgueiro fala de um "tutor de resiliência", alguém que se ligue à criança "por um laço afectivo forte", restaurando um "reencantamento perdido". Na perspectiva deste psicanalista, "a sociedade deveria sentir-se e assumir-se como um gigantesco tutor de resiliência das nossas crianças e dos nossos jovens". 

Para Emílio Salgueiro, a chamada "síndrome de alienação parental" é "falada como se de uma doença se tratasse e não das consequências de um conjunto de medidas inapropriadas tomadas em relação a uma criança". E as "guardas partilhadas muitas vezes não passam de um processo de heranças e partilhas", nota.

Fonte: Público

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O primeiro autista português

(...)
É junto à porta envidraçada da casa onde vive, no Vale de Santarém, que passa largas horas a observar o que acontece do lado de lá. De pé, sereno e concentrado, parece indiferente à presença de estranhos no pátio. E é só quando ouve o seu nome que quebra o silêncio e repete «Luís!» em jeito de confirmação, antes de voltar, como se nada fosse, ao que estava a fazer.
Luís de Almeida Gonçalves, hoje com 51 anos, foi o primeiro autista diagnosticado em Portugal. Os pais - a mãe, psiquiatra, o pai, dermatologista - começaram a estranhar o comportamento do filho quando, cerca dos 2 anos, o menino deixou de falar, ao mesmo tempo que ficava cada vez mais agitado. «A dado momento, ele ficou pura e simplesmente mudo e num estado de instabilidade e de mal-estar atroz», recorda o pai, José Carlos de Almeida Gonçalves. O primeiro passo do casal foi sondar, junto de colegas, o que poderia estar a acontecer com o Luís. De pouco lhes valeu a tentativa. Vinte anos tinham passado desde que o psiquiatra austríaco Leo Kanner publicara o primeiro artigo científico sobre autismo infantil, mas em Portugal nada se sabia ainda acerca desta perturbação global do desenvolvimento. «Diziam-me coisas como "a criança não tem nada, é um pouco nervosa só. Vocês, pais, é que estão doentes, não é a criança".» Alguns médicos quiseram mesmo submeter o casal Almeida Gonçalves a sessões de psicanálise para «curar» a criança. Ainda hoje, José Carlos carrega no tom crítico quando relembra os tempos em que o diagnóstico certo tardava a chegar.

Profundamente decepcionado com os pedopsiquiatras que consultou e perante o «bloqueio emocional» em que a mulher acabou por mergulhar, José Carlos decidiu procurar, por conta própria, as respostas que lhe permitiriam perceber o que se passava com o filho.
«Quando o Luís fez 3 anos, o descalabro já era enorme lá em casa. Não se podia sequer ter uma toalha na mesa que ele passava e arrancava-a. As paredes estavam todas destruídas pelos calcanhares dos sapatos. O mal-estar era tremendo», conta José Carlos, que à época vivia com a mulher e os dois filhos em Lisboa.


Diagnóstico difícil
(...)
Ainda sem saber o que este conjunto de sintomas poderia representar ao certo, José Carlos de Almeida Gonçalves conheceu Evelina Bustorff, uma psicóloga e investigadora reformada que se mostrou interessada em fazer algum tipo de trabalho com Luís. «Ela tinha vivido na Alemanha, tinha trabalhado nos kindergarten que, entre outras coisas, também ensinavam a lidar com pessoas deficientes. Assim, comecei a deixar o Luís com a Evelina. Ela fazia jogos com ele e ele começou a interessar-se e a acalmar», conta.
Um desses jogos era um loto caseiro, construído especialmente para o menino. Primeiro tinha apenas imagens - uma maçã, uma pêra, uma moto - que Luís teria de colocar no lugar certo. Depois, às imagens Evelina juntou palavras. E quando a criança já estava familiarizada com as letras, retirou os desenhos e deixou apenas as palavras. Na altura, o resultado foi surpreendente: «Ele, que tinha estado dois ou três anos sem emitir sons, começou a repetir a primeira sílaba de cada palavra do loto!», recorda com entusiasmo José Carlos. Os jogos repetitivos, sabemos hoje, cativam muito os autistas e podem mesmo estimular pequenas grandes vitórias como esta.

Os progressos eram notáveis, mas ninguém conseguia dizer ainda ao certo o que afligia o pequeno Luís de Almeida Gonçalves. «Eu continuava a procurar opiniões e pessoas e ninguém me dizia nada. Então disse para mim: "Eu tenho de descobrir o que é isto".» E José Carlos assim fez. Dermatologista de formação, começou a dedicar-se à investigação em psicologia e psiquiatria infantil até dar de caras com o que procurava. «Nessa altura eu tinha contacto com uma livraria médica inglesa. Então fui ao catálogo e encontrei um livro sobre "a criança que não fala"», recorda. O mutismo era, de facto, um dos sintomas mais claros que o filho evidenciava, por isso decidiu encomendar o livro que reunia informação científica sobre as várias síndromes que poderiam levar uma criança a deixar de falar. «A certa altura eu leio uma coisa sobre a qual nunca tinha ouvido falar: autismo infantil precoce. Li a descrição e a minha reacção foi: "Ah! É isto!"»

Nessa tarde, em vez de tocar à campainha de Evelina Bustorff para que Luís descesse, como sempre fazia, José Carlos fez questão de subir as escadas e de partilhar com a psicóloga o que acabava de descobrir. «Eu já sei o que o Luís tem!», exclamou. E, para sua surpresa, Evelina respondeu: «Eu também!» A médica tinha contactado um colega alemão a quem descreveu os sintomas que Luís apresentava e o clínico dissera-lhe que só poderia tratar-se de uma «criança psicótica de tipo autista».

A primeira escola para autistas
Passam décadas sobre o acontecimento que marcaria para sempre a vida dos Almeida Gonçalves, mas nem assim o pai de Luís consegue esconder uma réstia de amargura pela forma como o diagnóstico chegou. «Duas pessoas souberam ao mesmo tempo aquilo que os psiquiatras não foram capazes de saber, vinte anos depois de se ter descoberto a síndrome», faz questão de sublinhar.
Fosse como fosse, não havia tempo para ressentimentos. Agora que já se sabia o que Luís tinha, havia que aprofundar conhecimentos, descobrir terapias e tentar ajudar outros pais que também tivessem filhos autistas. José Carlos começou por pedir orientação à britânica National Autistic Society, onde trabalhava uma das maiores referências nos estudos sobre o autismo, a psiquiatra Lorna Wing. «Durante um ano estudei centenas de artigos sobre o assunto. E pensei logo em fundar também uma sociedade, mas não o quis fazer sem antes ter uma preparação teórica muito boa», recorda o homem que uns anos mais tarde viria mesmo a ser um dos fundadores da primeira associação portuguesa dedicada a apoiar autistas e suas famílias, a APPDA, hoje com mais de uma dezena de delegações por todo o país.
Luís tinha já 12 anos quando os pais, juntamente com outras seis famílias, abriram a primeira escola para autistas, instalada numa pequena casa térrea com quintal na Rua Azedo Gneco, em Campo de Ourique, em Lisboa. 
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Um dia-a-dia rotineiro
De molho de chaves ao peito, é a Dona Graça que assoma ao portão da quinta. «Temos de ter as coisas todas fechadas - armários e despensas onde guardamos os alimentos - porque senão o Luís come tudo», justifica-se. Graça casou com José de Almeida Gonçalves depois de o médico ter ficado viúvo. Desde então, tem sido um dos pilares fortes na vida de Luís, que criou com ela uma intensa relação de proximidade, caso raro entre os autistas, que tantas dificuldades têm em socializar e partilhar afectos. «O Luís está sempre muito dependente de uma pessoa. Agora anda sempre atrás da Graça, não a deixa ir a parte nenhuma! Quando, há dias, ela teve de ir a Lisboa e por isso às oito da noite ainda não estava em casa, o Luís entrou em pânico!», exemplifica José Carlos. 
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Frequentar o colégio é, assim, a actividade que marca e define o quotidiano de Luís. É lá que aprende música, ginástica, informática, língua portuguesa, que faz tapetes de Arraiolos. Em casa as ocupações são outras e não se misturam com as da escola. «O que faz num sítio não faz noutro. Como toca piano no colégio, aqui não quer tocar. Lá, dão-lhe lições de computador, mas no meu ele não mexe», explica José Carlos.
Quando chega da escola, Luís ajuda a empregada na cozinha com pequenas tarefas. «Não há uma batata cá em casa que não tenha sido descascada por ele!», revela o pai. «É ele que põe a loiça na máquina, primorosamente um prato de cada vez. E quando a loiça está lavada, é também ele que a arruma no armário da mesma maneira. Também põe a mesa, uma coisa de cada vez, rigorosamente na mesma posição e à mesma distância do rebordo da mesa. O Luís é a única pessoa arrumada cá de casa!», continua José Carlos, com uma boa disposição que a idade ainda não apagou.

(...)
Estes comportamentos obsessivos fazem parte do dia-a-dia de quem lida com autistas, mas nem sempre é fácil saber quais os limites a impor. Só o bom senso e a experiência que os anos trazem conseguem ajudar nestes casos, e José Carlos sabe disso melhor do que ninguém: «Deixamo-lo fazer algumas coisas, outras não. Aqui há tempos o Luís inventou de ficar na casa de banho a vigiar-me e só saía quando eu ia deitar-me. Ora, ficar horas e horas na casa de banho não é saudável. Tivemos de contrariá-lo e com violência. Nessas alturas grita que não quer, mas não chora. Nunca chora.»
Aos 51 anos, Luís tem uma linguagem muito limitada - tenta fazer-se entender com o mínimo de palavras possível -, mas demonstra capacidades notáveis noutras áreas, outra das características associadas aos autistas. Escreve com pouquíssimos erros ortográficos e tem uma memória matemática fora do comum, que não se manifesta só no facto de conseguir decorar o número e posição de cada um dos pontos de um tapete de Arraiolos. 
(...)
Os últimos anos têm sido uma surpresa para a família Almeida Gonçalves, já que revelaram um Luís cada vez mais autónomo, sociável e afectuoso, ainda que esta seja sempre uma autonomia relativa - longe de ser independência - e que os afectos se limitem aos familiares mais próximos.
(...)

Os Almeida Gonçalves não são excepção. Com a naturalidade de quem sabe já ter vivido muitos anos, José Carlos fala abertamente no assunto: Luís poderá manter-se na casa do Vale de Santarém, entregue a um cuidador; ou então mudar-se para a quinta de familiares, onde poderia dedicar-se à agricultura. Passar a viver numa instituição é a hipótese que menos lhe agrada, muito embora saiba que esta é, em muitos outros casos, a única viável. Seja como for, importa-lhe sobretudo que o filho mantenha as rotinas e que lhe seja garantido o acompanhamento e todos os cuidados de que precisa.

Sempre que pode, Luís, o primeiro autista identificado em Portugal, regressa à porta envidraçada. Entretido a olhar a rua, nem suspeita de que, na sala ao lado, se conta a história que despertou o país para as questões do autismo. A sua história.

Fonte: DN

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Brincar ao ar livre ajuda a reduzir miopia

A rua deve ser o lugar de eleição para as crianças brincarem não só pelo fato de fazerem mais exercício físico e conviverem, mas também porque o tempo que as crianças passam fora de casa está associado a uma redução do risco de miopia. Esta é a conclusão de um estudo da Universidade de Cambridge.
O grupo de especialistas apresentou os resultados na reunião anual da Academia Americana de Oftalmologia, que se realizou a semana passada na Florida, Estados Unidos.

A equipa de investigadores analisou oito estudos oftalmológicos recentes, que associam o tempo passado fora de casa e a miopia. Estes estudos envolveram 10.400 jovens e comprovam que uma maior exposição à luz natural e o tempo despendido a olhar para objetos mais distantes são fatores que contribuem para uma saúde visual.
Segundo Justin Sherwin, da Universidade de Cambridge e responsável pelo grupo que levou a cabo a investigação, por cada hora adicional que os mais novos passam fora de casa todas as semanas, o risco de miopia cai cerca de 2%.
Nas brincadeiras ao ar livre as crianças utilizam a visão ao longe e menos a visão ao perto, razão pela qual os especialistas da investigação apontam que exercitar este tipo de visão à distância pode ajudar a combater o aparecimento de miopia.
Contudo, os investigadores consideram que serão necessárias mais algumas pesquisas para "determinar quais os fatores mais importantes: se o aumento da visão ao longe, se o uso reduzido da visão ao perto, se a exposição à luz natural ou se é a atividade física desenvolvida".


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

PCP condena eliminação de subsídio de professores do educação especial proposta no OE

O PCP condenou nesta quinta-feira a eliminação de um subsídio aos professores de educação especial que têm de deslocar-se entre várias escolas do mesmo agrupamento e a casa de alunos, uma medida incluída numa norma revogatória do Orçamento.
“Estamos a falar de professores especializados em educação especial, que acompanham crianças em casa, que se deslocam a casa das crianças, que prestam auxilio à família quer na escola quer fora da escola e que têm um subsídio, uma gratificação mensal, de 106 euros”, afirmou o deputado comunista Miguel Tiago.
Os comunistas vão pedir a eliminação dessa norma revogatória em sede de discussão do Orçamento do Estado, considerando que ilustra a “insensibilidade e crueldade” do documento.
“São pessoas que não recebem ao quilómetro que fazem, que se deslocam, muitas vezes, mais de 30 quilómetros entre a escola e as outras escolas do agrupamento que também têm que acompanhar e que ficarão sem esta gratificação”, sustentou, explicando que estes docentes têm necessariamente que deslocar-se entre escolas porque trabalham para todo o agrupamento.
Para o PCP, este é “um elemento que demonstra bem que o Governo, na área da Educação, não só tem o objectivo do desmantelamento completo do serviço público como inclusivamente o faz sem qualquer tipo de pudor social”.
Miguel Tiago considerou que não está a ser prestado “respeito pelo trabalho” dos docentes, nem pelos alunos, “crianças com necessidades educativas especiais e, neste caso particular, crianças com deficiência profunda”.



Comentário do Incluso:

"A publicação desta notícia não tem qualquer conotação política. Apenas é divulgada porque está relacionada com os professores de educação especial. Comparativamente ao texto original, tive a ousadia de substituir o termo "ensino especial" por "educação especial".
Quanto ao seu teor, e pensando nos motivos que supostamente levaram à criação do subsídio, no contexto atual, talvez seja um pouco descabido. No entanto, a ser anulado, deveria ser dada a possibilidade de os colegas que se deslocam, no mesmo dia, para várias escolas distanciadas serem compensados.
Esta possibilidade já existe, na medida em que um docente não pode ter mais do que uma residência laboral (entende-se "local de trabalho") no mesmo dia. Em situação de ter de se deslocar para dois ou mais locais de trabalho, no mesmo dia, e as distâncias forem superiores a 7 km, deve preencher o boletim itinerário e ser ressarcido pelos gastos."


O meu Comentário:

Concordo plenamente com o comentário do Incluso, porém acrescento ainda que este subsídio é relevante, digo muito bem pago, quando se tratam de professores que trabalham por exemplo em Unidades Multidificiência ou de Autistas, uma vez que, é um trabalho que implica um desgaste físico e emocional enorme. Sei que a maioria das pessoas poderão ler este comentário e discordar comigo mas falo por experiência própria e só quem está por perto ou vive estas situações é que poderá dar valor.


terça-feira, 25 de outubro de 2011

"Ser diferente, crescer autónomo" - APATRIS-21

Segue informação relativa a um encontro a realizar pela APATRIS-21.


A APATRIS 21 - Associação de Portadores de Trissomia 21 do Algarve - Instituição Particular de Solidariedade Social com fins de saúde, vem por este meio convidar Vossa Excelência a estar presente no 4º Encontro "Ser diferente, crescer autónomo" que irá decorrer no dia 5 de Novembro, pelas 9h00, na Junta de Freguesia de São Brás de Alportel.

Este encontro irá contar com Testemunhos de Pais, Fórum de Associações de Pais e Workshops. 


Os testemunhos de pais irão contar com uma conferência ministrada pela Drª. Leonor Borges, mãe de um jovem portador de Trissomia 21, sob a temática "O papel da família na Trissomia 21 –o contributo de uma mãe"

Os workshops irão realizar-se no período da tarde e contarão com os seguintes temas:


Workshop 1: Défice Cognitivo: Estimular a Autonomia na Transição para a Idade Adulta/ Sandra Pinho (Cadin)


Workshop 2: Projecto Oficinas de Pais/Bolsas de Pais (Uma nova atitude dos pais e a sua relação com os profissionais no processo de inclusão social dos filhos) / Luísa Beltrão (Presidente Pais-em-Rede) e Mª João Santos (Coordenadora do projecto Oficinas) 


Workshop 3: Reabilitação Cognitiva na Trissomia 21/ Dr.ª Laura Nunes e Dr.ª Ana Margarida Graça (APATRIS 21)


Inscrições:
Cheque (à ordem da APATRIS 21, a enviar para R. Actor Nascimento Fernandes, n.º 1, 1.º - 8000 - 201 Faro)
- Transferência bancária (NIB APATRIS 21 - 003502050000939333023)
- Numerário

Contamos com a vossa presença!Inscrevam-se! 


Agradecíamos a divulgação deste evento junto do vosso corpo docente, discente, funcionários e pais.


Com os melhores cumprimentos,

APATRIS 21

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Estratégia Europeia para a Deficiência 2010-2020

Estratégia Europeia para a Deficiência 2010-2020:

Compromisso renovado a favor de uma Europa sem barreiras

Na sua reunião plenária de 21 de Setembro de 2011, que decorreu em Bruxelas, o Comité Económico e Social Europeu, consultado pela Comissão Europeia, emitiu um parecer sobre a Estratégia Europeia para a Deficiência 2010-2020.
"O principal objectivo da presente estratégia é capacitar as pessoas com deficiência para que possam usufruir de todos os seus direitos e beneficiar plenamente da sua participação na sociedade e na economia europeias, designadamente através do mercado único. Para concretizar este objectivo e garantir uma aplicação efectiva da Convenção da ONU em toda a UE é necessário agir com coerência. A estratégia identifica acções a nível da UE para complementar as medidas nacionais e determina os mecanismos8 essenciais à aplicação da Convenção da ONU na UE, designadamente nas instituições europeias. Identifica ainda os
apoios necessários em matéria de financiamento, investigação, sensibilização, estatísticas e recolha de dados.
A estratégia coloca a tónica na eliminação das barreiras que se colocam às pessoas com deficiência. A Comissão identificou oito grandes áreas de acção: acessibilidade, participação, igualdade, emprego, educação e formação, protecção social, saúde e acção externa. Para cada área são identificadas acções prioritárias e destacado o objectivo global da UE. Estas áreas foram seleccionadas em função do interesse que podem representar face aos grandes objectivos da estratégia e da Convenção da ONU, aos documentos políticos das instituições da UE e do Conselho da Europa neste domínio, aos resultados do Plano de Acção da UE a favor das Pessoas com Deficiência 2003-2010 e às consultas dos Estados-Membros,"


In INReabilitação

A Síndrome de Asperger

É essencial compreender a natureza das limitações e os pontos fortes dos jovens/crianças com Síndroma de Asperger para lhes proporcionar uma educação eficaz.

O nome provém do médico Vienense Hans Asperger (1906-1980). Foi descrita pela 1ª vez em 1944. Após observar/contactar os seus pacientes,a maioria jovens com dificuldades de interacção social, estudou doentes com défice de competências sociais e comunicativas. Os seus estudos tiveram maior destaque a partir de 1980.
É uma síndrome algo complexa uma vez que varia de sujeito para sujeito. Embora tenham traços gerais comuns, cada um tem características individuais que se revelam de diferentes maneiras. Não há uma cura, mas com treino apropriado podem ser desenvolvidas Determinadas competências que lhes dêem mais autonomia. Os joves/crianças com esta Síndrome têm inteligência média e acima da média.

Caracteriza-se por limitações subtis em 3 áreas de desenvolvimento:
1. Interacção social
2. Comunicação em contextos social
3. Imaginação social

Pensa-se não haver uma causa única para as perturbações do espectro do autismo. Acredita-se que resulte de um conjunto de factores – genéticos, factores que envolvem lesão cerebral (sendo as áreas afectadas as responsáveis pelo desenvolvimento da comunicação), como infecções durante a gravidez, alterações no trabalho de parto, entre outros.Verifica-se maior incidência nos individuos do sexo masculino.
O diagnóstico pode ser realizado pela observação do comportamento e por avaliação psicológica (questionário/ checklist) e comportamental.Pode e deve envolver profissionais de várias áreas.

Características
· Falta de vontade de interagir com os pares, tendência ao isolamento;
· Tensão e agitação ao lidar com terceiros;
· Dificuldade em prever e entender o comportamento dos outros (dificuldade em interpretar a comunicação não verbal- expressões, gestos, …) ou em compreender e exprimir emoções, o que dificulta as interacções/relações sociais;
· Dificuldade em antecipar e adivinhar o que os outros possam pensar ou os seus propósitos;
· Dificuldade em explicar o próprio comportamento e emoções;
· Dificuldade em interagir e reagir ao nível de interesse do interlocutor, ao que diz, repercutindo-se em dificuldades em manter uma conversa;
· Voz sem expressão;
· Falta de partilha de atenção;
· Boa habilidade verbal, linguagem peculiar;
· Interesses especiais e obssessivos que os outros consideram estranhos;
· Actividades repetitivas;
· Resistência à mudança e insistência em rotinas;
· Boa capacidade de memorização;
· Concentram-se mais em determinados detalhes;
· Utilização indevida do contacto ocular;
· Fraca coordenação motora;
· Dificuldade em estabelecer associações e na organização pessoal e dos materiais;
· Dificuldade em planear tarefas, começá-las e terminá-las;

O que fazer / Estratégias
- Criar um ambiente favorável à comunicação
- Ambiente previsível
- Desenvolver a capacidade de iniciar, manter e terminar uma conversa
- Desenvolver determinadas competências socais, comunicativas (ser mais competente na forma como comunica) e de linguagem (uso em contexto social- pragmática e semântica)
- Regular o comportamento (penalizar comportamentos desadequados)
- Ensino explícito
- Intermediar situações de cooperação com o grupo como forma de aumentar a sua aceitação e promover a interacção (trabalhos de grupo, jogos, …)
- Incentivar o envolvimento com os pares – desenvolver comunicação
- Sensibilizar os pares. É essencial que os outros compreendam as dificuldades colocadas pelos Jovens/crianças com esta síndrome e os motivos do seu comportamento.
- Ser objectivo na orientação do trabalho
- Recurso a estímulos visuais – esquemas, listas, figuras
- Usar os interesses para ampliar o reportório e envolvimentos com os conteúdos estudados
- Organização e aplicação da informação
- Explicar o que dele se espera
- Desenvolver a compreensão
- Simplificar as tarefas/actividades dividindo em vários passos
- Dar reforço positivo e valorização das tarefas realizadas de forma a fomentar a auto-estima e a auto-confiança
- Solicitar com mais frequência
- Controlo dos trabalhos de casa
- Introduzir alterações de forma gradual
- Promover a autonomia.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Conferência - "Perturbações do Desenvolvimento e Autismo - Metodologias e Terapias" - Portimão

Segue informação relativa a uma conferência realizada pela APPDA- Algarve. No ano passado estive presente e valeu a pena.

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Exmos. Senhores,

A APPDA-Algarve tem o prazer de apresentar uma conferência dirigida a todos os profissionais que trabalham com crianças com Perturbações de Desenvolvimento e do Espectro do Autismo, familiares destas e todos os apaixonados pelo tema.
A Conferência intitulada "Perturbações do Desenvolvimento e Autismo - Metodologias e Terapias", será realizada no dia 5 de Novembro no Auditório do Museu de Portimão, em Portimão.
As inscrições são limitadas ao número de lugares do auditório, podendo ser realizadas pessoalmente na sede da associação, através de e-mail (info@appda-algarve.pt), fax ou telefone 282 431 476 / 964 662 596.
Junto em anexo, encontrará mais informações.
Atentamente,
Pl'a Direcção


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APPDA-Algarve
Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo - Algarve
Rua Bento Jesus Caraça, n.º8 R/C Esq.
8500-570 Portimão
Telf: 282 431 476
info@appda-algarve.pt
www.appda-algarve.pt

sábado, 1 de outubro de 2011

Ministro simplifica lei de instalação de rampas para pessoas com deficiência

O ministro da Solidariedade e Segurança Social, Pedro Mota Soares, anunciou, esta terça-feira, alterações na lei para pôr fim à necessidade de aprovação por dois terços dos condóminos para a instalação de rampas de acesso ou plataformas elevatórias nos edifícios.

"Hoje uma pessoa com deficiência ou alguém que tenha dificuldade de locomoção, para instalar uma rampa de acesso ou plataforma elevatória, essencial para entrar ou sair de casa, precisa de dois terços da aprovação no seu condomínio, o que muitas vezes barra na incompreensão", disse o ministro, na cerimónia de inauguração de um lar residencial para deficientes, na Moita.

Pedro Mota Soares disse que as alterações vão ser efectuadas em breve e que vai dispensar esta necessidade.

"Vamos conseguir garantir que esta maioria possa ser dispensada e que as pessoas a possam colocar, a expensas próprias ou usado ajudas públicas para o efeito. Muitas vezes, porque não conseguem esta maioria, são obrigadas a mudar de casa. O que queremos fazer é que as pessoas não sejam expulsas das suas casas", salientou.

O ministro defendeu que esta medida é rápida e tem um impacto "muito grande" na vida das pessoas.

"Queremos chegar mesmo a garantir que seja um direito das pessoas, que não seja oponível a outros. Desde que se cumpram todas as regras de segurança, queremos que seja garantido o direito de mobilidade", concluiu.

Fonte: JN

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

(Re) Habilitar na Deficiência - APEXA


Como já vos tinha dito a APEXA - Associação de Apoio à Pessoa Excepcional do Algarve - irá realizar no próximo dia 29 de Outubro o IV Encontro da Pessoa Excepcional do Algarve, subordinado ao tema (Re) Habilitar na Deficiência

Agora que já foi divulgado o programa... aqui vai.

Localização: Auditório Municipal de Albufeira
Horário: 9:00 às 17:00 horas.
Destinatários:  Professores, Psicólogos, Terapeutas, Técnicos Superiores de Serviço Social, Estudantes, Pais e Cuidadores.
Inscrições até 21 de Outubro (15€)



Contactos: 961 223 529 ou 289 561 637 ou 
formacao@apexa.org ou info@apexa.org