quarta-feira, 13 de julho de 2011

"As crianças precisam de sentir que são prioridade" - Entrevista a Torey Hayden


O que a levou a transformar as suas experiências em livros?  
Quando escrevo, escrevo para mim, para que as coisas me façam sentido. Ao princípio não pensava publicar qualquer livro. Mas os textos foram aparecendo e acabou por acontecer.  
Hoje é uma escritora de enorme sucesso à escala mundial, contando mais de dez milhões de exemplares vendidos (cem mil só em Portugal). Como explica este feito? Os assuntos que abordo são universais. Todos sabemos o que é não conseguir dizer o que queremos. O que é não conseguir expressar ou pedir o amor de que precisamos. São temas que tocam as pessoas.  
Sempre quis trabalhar com crianças?  
O que eu queria ser era escritora, mas não gostava de inglês, não era nada empenhada nas aulas. Também adorava animais. Como nasci e cresci em [no estado do] Montana ainda trabalhei algum tempo no Parque Natural de Yellowstone, mas a vida não seguiu esse rumo...  
Então?  
As minhas origens são pobres. Para poder estudar tive de arranjar maneira de pagar as contas. O único trabalho em que me pagaram o suficiente para isso foi numa instituição local de apoio a crianças com necessidades especiais. Fiquei apanhada!  
Deve ser complicado pôr a falar uma criança que não quer ser ajudada?  
É uma questão de paciência. Estejamos a falar de crianças sem qualquer deficiência, embora marcadas por algum trauma, ou de crianças autistas, por exemplo, é preciso paciência.  
Paciência?  
Sim. Isto porque é mais importante saber ouvir do que ter pressa em falar, em dar ordens, como os adultos gostam tanto de fazer. O que as crianças querem é perceber que estamos ali para elas, é que somos de confiança, e não alguém que tem pressa em impor seja o que for, em mostrar o que é certo ou errado.  
O que interessa é o momento. É isso?  
Sim. É preciso dar a entender à criança que o tempo é dela, que temos tempo para a ouvir. Que temos todo o tempo do mundo.  
Os problemas das crianças de hoje são diferentes dos vividos pelas gerações anteriores?  
Não. Os problemas são iguais. Há algum tempo li um texto de um monge do século XVIII sobre as crianças e fiquei ainda mais certa de que as pessoas não mudaram tanto como possa parecer.  
Mas hoje os pais estão mais preparados para lidar com as crianças?  
É verdade, os pais estão mais atentos às necessidades das crianças... O problema é que têm menos tempo para elas. As pessoas entregam-se muito às carreiras e isso rouba-lhes tempo, o que é complicado pois as crianças precisam de sentir que são prioridade.  
Quer deixar um conselho aos pais portugueses?  
Mas que grande responsabilidade! Bem, aconselho-os a darem mais tempo aos seus filhos. A tentar percebê-los, compreendê-los. A ter a capacidade de se afastar o suficiente para os ver, para conseguir entender o que querem e como é que eles são enquanto pessoas. Lembro aqui uma história da minha infância...  
Pode contar.  
Quando eu era rapariga, em Montana, era costume os namorados porem moedas na linha do comboio, de forma a que ficassem espalmadas, para depois as oferecerem às namoradas num fio, como se a moeda fosse um medalhão. Havia uma amiga minha que queria que o namorado lhe desse um dólar de prata, mas como ele era pobre isso era muito dinheiro, então ele espalmou um penny (um tostão). A questão é que ele sofreu um acidente e morreu antes de lhe dar a medalha. Ela nunca mais largou aquela medalha. Se ele não tivesse morrido ela teria ficado aborrecida por não ter o dólar de prata, mas assim openny ganhou importância. O problema às vezes é as pessoas darem importância a coisas de nada e esquecerem o que é importante.
Data de publicação: 19/5/2009
Fonte: 24 Horas
Jornalista: João Nascimento

Tempo de Leitura... Torey Hayden - uma referência!

«A cada página revela-se-nos de novo o poder do amor e a resiliência da vida.»
Los Angeles Times

Victoria Lynn Hayden, mais conhecida pelo nome literário Torey Hayden, nasceu em Livingston, no estado norte-americano de Montana, em 1951. Hoje, vive em North Wales, no Reino Unido.
No primeiro ano da faculdade ofereceu-se como voluntária num programa para estudar crianças em idade pré-escolar com distúrbios e dificuldades. Fez um mestrado na área de educação especial, na Montana State University, em 1975, e em 1979 entrou num programa de doutoramento em Psicologia Educacional e Educação Especial na Universidade de Minesota. Trabalhou como auxiliar para alunos com necessidades especiais, como professora dessas mesmas crianças e também como professora do ensino normal. 
Depois da experiência com Sheila, uma rapariga difícil e violenta que aos 6 anos foi sua aluna numa turma de ensino especial, decidiu escrever o seu primeiro livro, A Criança Que Não Queria Falar, que até hoje já vendeu mais de 8 500 000 exemplares só no Reino Unido. Tem nove livros publicados em Portugal pela Presença. O primeiro, A Criança Que Não Queria Falar, foi publicado em 2007 e esteve quase três meses no top das livrarias. 
Na colecção «Grandes Narrativas» da presença poderemos encontrar as seguintes obras:
  • A Criança Que não Queria Falar 2007;
  • A Menina Que nunca Chorava 2007;
  • Os Filhos do Afecto 2007;
  • Uma Criança em Perigo 2008;
  • Filhos do Abandono 2008;
  • A Força dos Afectos 2008;
  • A Prisão do Silêncio 2009;
  • A Luz de Um Novo Dia 2010;
  • Vozes Silenciosas 2011 (as datas indicadas são do lançamento em Portugal).


Agora que o trabalho abrandou voltei a ter tempo e disposição para a leitura. Esta semana agarrei num livro que andava há mais de um mês a pairar na minha mesa de cabeceira e que quero muito ler - Vozes Silenciosas.
Podem-me perguntar a razão de não o ter começado a ler mais cedo?! E eu respondo prontamente. Quando agarro num livro de Torey Hayden entro na história e quero sempre ler mais e mais, não queria por isso correr o risco de não ter tempo para lê-lo. 

Este é o nono livro que leio e sem dúvida que recomendo todos eles, sem excepção. 

Torey tem uma capacidade extraordinária de contar as suas experiências, as suas histórias... É fantástica!

Penso que todos devíamos ler estes livros para nos apercebermos que nem todas as crianças têm a possibilidade de sonhar e que existem pessoas maravilhosas que tentam dar amor e afecto no curto período de tempo que partilham com elas. 
Vale sempre a pena amar e entregar-nos a uma criança, mesmo que saibamos que - à semelhança da raposa e do Principezinho - depois de a cativar somos responsáveis por ela e na separação ambas sofreremos...!


terça-feira, 5 de julho de 2011

Quando é que a EDUCAÇÃO se torna ESPECIAL? por Francisco Lontro

"Aqui há uns tempos recebi um presente especial. Nada de mais para o olhar de qualquer um dos leitores, pois o valor material do presente era praticamente nulo; mas muito para mim, porque foi um presente único, pessoal, que me distinguiu de todas as outras pessoas que não o receberam: por outras palavras, fez-me sentir “especial”!
No meu percurso de estudo e profissional também tenho estado ligado a outras coisas “especiais” (infelizmente num sentido diferente da palavra): desde logo ao ensino “especial”; a equipas “especiais”; e sobretudo a “crianças e jovens especiais”… assim se falava e fala nas escolas, nas universidades, nos livros! 
Quando comecei questionava-me sobre como responder a tanta “especialidade” e sobretudo se teria capacidade para dar resposta (pessoal e técnica) a necessidades e solicitações tão peculiares. Na altura, os meus mestres sabiamente iam-me alertando (direta ou indiretamente) para a necessidade de me focar em primeiro lugar nas relações humanas e esse foi o ponto de partida essencial para a minha evolução. Mas foi só quando comecei a sair do meu gabinete, a organizar grupos de pais, a visitar os meus clientes nas escolas e a liderar reuniões de consultoria com os professores do Ensino Regular, que me apercebi daquela que penso ser a principal razão para se ter que adjetivar de Especial a Educação das crianças e jovens com perfis divergentes de desenvolvimento, comportamento e/ou aprendizagem. É que na grande maioria das vezes as pessoas estão focadas nos problemas, nos sintomas, nas dificuldades; e não nas pessoas, nas crianças e jovens por detrás dessa máscara de características menos boas. Pessoalmente acredito que a Educação Especial não é a Educação das crianças e dos jovens ditos “especiais”. A Educação Especial é a Educação que transmitem os bons Educadores (pais, terapeutas, educadores e professores) a TODAS as crianças e jovens: quando criam disponibilidade para ouvir; quando dão tempo para responder; quando aceitam e partilham ideias; quando chamam a atenção para o que é importante sem impor “o que é importante”; quando motivam e fomentam o empreendedorismo (sobretudo nas pequenas coisas do dia-a-dia); quando valorizam os pequenos e os grandes feitos; quando atribuem responsabilidades e exigem responsabilidade; quando valorizam o espírito de comunidade e de equipa; quando estimulam a vontade do conhecimento e da exploração; quando se zangam nos momentos e nas proporções certas; quando abraçam, piscam o olho, ou simplesmente partilham um sorriso cúmplice no momento certo. Enquanto seres humanos temos o dever de fazer sentir a todos os que estão à nossa volta, que são Especiais: porque são únicos, nas suas virtudes e defeitos; porque dão sentido à nossa vida, ao que somos e ao que fazemos (pessoal e profissionalmente); porque são a nossa esperança num futuro tão bom ou melhor do que o temos no dia de hoje (porque se estivermos sozinhos certamente não o será!). É que a primeira técnica que deveremos aprender enquanto seres em crescimento é a “técnica” da relação. Esse é o verdadeiro desafio. Ensinar uma criança autista a comunicar adequadamente; um jovem delinquente a ser assertivo e a respeitar os outros; ou uma criança disléxica que FACA se escreve F+A_C+A… é fácil; é objetivo e igual no Algarve, nas Ilhas ou no Minho. Fazer os outros sentirem-se especiais
como a pequena Mariana me fez sentir quando me ofereceu aquele presente único de que falava no início do texto
e sentirmo-nos nós próprios especiais é uma experiência única, autêntica, que exige disponibilidade,humildade, vontade de saber mais e o risco… de nos darmos à relação com os outros (de sermos felizes e de nos magoarmos)."


...Um artigo de Francisco Lontro - francisco.lontro@pimpumplay.pt - Psicomotricista 


Quando digo que - para mim a relação com os alunos é a base dos pequenos sucessos que com eles consigo atingir - sou incompreendida por muitos mas, ao ler este artigo, identifiquei-me e percebi que afinal não somos tão poucos a conseguir ver estes SERES TÃO ESPECIAIS!!

Hiperatividade ou o Transtorno por déficit de atenção com hiperatividade (TDAH)

Trata-se da síndrome da conduta, de origem neurobiológica, mais frequente durante a infância.

Estima-se que cerca de 5% da população infanto-juvenil, de 3 a 16 anos, sofre, sendo 3 vezes mais frequente nos homens.

Conhecida por TDAH, é uma patologia que se caracteriza pela existência de três sintomas:
  • hiperatividade (movimento contínuo e superior ao esperado para a idade da criança);
  • falta de atenção;
  • impulsividade.


Um transtorno que se produz devido a uma alteração do sistema nervoso central. É hoje, uma das causas mais frequentes do fracasso escolar e de problemas sociais na idade infantil.


sexta-feira, 1 de julho de 2011

Tomada de posição da PRÓ-ANDEE relativa ao programa do Governo na área da Educação Especial e Inclusiva

A Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial vem manifestar ao novo Governo e em particular aos responsáveis do Ministério da Educação, a sua reiterada disponibilidade para estabelecer uma relação de mútua cooperação em prol do encontro, desenvolvimento e avaliação das políticas e práticas educacionais relacionadas com os alunos com variados tipos de dificuldades escolares e condições de deficiência. Consideramos parte integrante da nossa missão como Associação de Professores constituir uma interlocução construtiva e útil entre os professores de Educação Especial, outros técnicos e as estruturas do Ministério da Educação.O programa de Governo dado a conhecer à Assembleia da República a 28 de Junho de 2011, levanta-nos desde já algumas preocupações. Talvez algumas destas preocupações se devam ao carácter muito (demasiado?) genérico do documento fruto do curto prazo em que teve de ser apresentado. Sintetizaríamos as nossas preocupações em cinco pontos:1. Não existe no documento qualquer referência à Educação Inclusiva. Lembramos que este aspecto não é de detalhe mas integra-se numa política geral (ref. Preâmbulo do dec-lei 3/2008) de organização do nosso sistema educativo. Para além deste aspecto, cabe salientar que os governos de Portugal têm assinado e ratificado declarações e convenções internacionais que asseguram que as políticas educativas nacionais se devem reger pela promoção da Inclusão. Lembraríamos a este respeito a assinatura e ratificação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (em particular o seu artigo 24º) (ONU 2006) e a Declaração Final da Conferência de Genebra sobre Educação Inclusiva (UNESCO, 2008).2. A única referência que é feita no documento à Educação Especial é “o reforço da rede, dos recursos técnicos e das competências das escolas de referência em educação especial”. A Educação Especial aparece, assim, circunscrita às escolas de referência que, como se sabe, são destinadas a alunos com deficiências sensoriais. A Educação Especial é um sistema de apoios à educação e escolarização de alunos com dificuldades e deficiências muito distintas e que abrange muitos milhares de professores, dezenas de milhares de alunos, e centenas de milhares de membros de famílias destes alunos. Realçar as escolas de referência esquecendo a grande maioria do sistema de Educação Especial, suscita-nos preocupação porque esta omissão poderá sugerir que o novo governo pensa que, com excepção das escolas de referência, tudo está bem e nada há a modificar.3. Têm sido transmitidas posições da Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial a variados sectores políticos, profissionais e familiares. Fruto de uma constante e alargada monitorização das políticas em vigor, temos posições que nos permitem dialogar e apresentar propostas de melhoria do actual sistema. O facto de não ser sequer citada a necessidade de se fazerem melhorias no sistema de Educação Especial e Inclusiva preocupa-nos dado que tivemos repetidas manifestações (nomeadamente de responsáveis dos partidos que integram este governo) que era necessário efectuar alterações no actual sistema de Educação Especial.4. O facto de se citar no programa do Governo para a Educação a questão do sucesso/insucesso escolar não é, na nossa perspectiva, uma alternativa credível a falar de Inclusão. Como é sobejamente conhecido e confirmado em inúmeros fóruns internacionais, a Inclusão é muito mais do que erradicação do insucesso escolar. Falar de sucesso escolar em lugar de inclusão é, para nós, preocupante porque parece que se quer transpor para a política uma equivalência falsa em termos científicos.5. Finalmente a ausência de referência à Educação Inclusiva e à Educação Especial leva a crer, sobretudo quando se trata de um novo Governo, que estes assuntos são passados, são antigos e talvez mesmo ultrapassados. A Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, vem confirmar o seu compromisso junto dos professores e junto ao Ministério da Educação que considera que a Educação Inclusiva e Especial não são assuntos do passado. Do passado é a exclusão; a Inclusão é um tema central do presente e do futuro. Não pensar a Educação Inclusiva como um pilar central da organização do sistema educativo teria consequências muito graves na participação, qualificação e sucesso escolar de um grande número de alunos.Não pensar a Educação Inclusiva como um pilar central da organização do sistema educativo teria consequências muito graves na participação, qualificação e sucesso escolar de um grande número de alunos.Consideramos nossa missão alertar desde já o Governo para estas nossas preocupações e manifestar, como sempre, a nossa disponibilidade para um trabalho conjunto construído sob as bases da lealdade e do compromisso com a qualidade educativa para todos.

A Direcção da Pró-Inclusão - ANDEE

Fonte: Incluso

quinta-feira, 30 de junho de 2011

II Seminário Ibérico - Percursos em Educação Especial

Dando continuidade às iniciativas de anos anteriores, o Agrupamento de Escolas de Maximinos e a Escola Secundária Carlos Amarante, escolas de referência para alunos cegos e com baixa visão do distrito de Braga, vão realizar nos dias 8 e 9 de Julho de 2011 o II Seminário Ibérico - Percursos em Educação Especial.
Com este evento pretendemos criar um espaço de partilha e de reflexão aberto a toda a comunidade, contribuir para a construção de práticas educativas que respeitem a diversidade e promover a colaboração entre todos aqueles que a seu cargo têm esta responsabilidade.

Programa: descarregue aqui
Inscrição no Seminário: faça a sua inscrição aqui
Caso não consiga aceder à inscrição, obtenha o acrobate reader aqui

A Formação associada ao II Seminário Ibérico tem o seguinte calendário:

Dia 6 de Julho: das 14:30h às 17: 30h (3 horas)
Dia 8 e 9 de Julho: II Seminário Ibérico (9 horas)
Dia 11 de Julho: das 9:30h às 12:30h (3 horas)


Nota: a turma será constituída por 30 formandos e será dada prioridade aos docentes do AE Maximinos.

A inscrição na Formação deverá ser efectuada aqui

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Para reflectir...

O espelho reflete certo; não erra porque não pensa. 
Pensar é essencialmente errar.
Errar é essencialmente estar cego e surdo.

Alberto Caeiro (1/10/1917) 


Ao visitar o blog Diferentes somos todos nós, que visito regularmente, reflecti e achei que deveria partilhar!

Balanços e compromissos... Pró-inclusão...

Encontrei este texto publicado num blog que sigo atentamente e achei que devia também partilhar.

"Começo por uma história que presenciei há 3 dias. Uma aluna de Mestrado em Educação Especial estava à espera que a prova de discussão da sua dissertação começasse. Eu, que era para o efeito presidente do júri da prova, cheguei um pouco mais cedo e encontrei-a sentada a enrolar papéis de seda amarelos. Espera-se que um candidato – por norma nervoso – ocupe o seu tempo de várias maneiras mas aquela intrigou-me… Perguntei “Esse trabalho manual é para reduzir o stress?”. “Não – respondeu a candidata – estou a enrolar as rifas para o encontro de angariação de fundos para a unidade de multideficiência do meu agrupamento”.E logo esta história me lembrou os diferentes mundos em que se move o professor de Educação Especial: o mundo da militância, da “missão”, o mundo da profissão tal como é definida, o mundo académico, o mundo das famílias, etc. Navegar em todos estes mundos com regras e éticas distintas, é, sem dúvida, necessário ainda que não necessariamente útil. Passo a explicar: são tarefas que é preciso fazer e que se o professor de Educação Especial não fizer ninguém vai fazer apesar de serem essenciais. Mas é verdade também que quando se faz um coisa não se pode fazer outra e, se é verdade que é pedido muito voluntarismo e trabalho “extra-curricular” ao professor, pode-se perguntar “O que é que ele, por fazer estas tarefas, deixa de fazer?” Estamos a chegar ao fim de um ano lectivo e ao princípio de outro. Tempo de balanços e de compromissos. Começamos a ouvir “para o ano eu vou…”, “para o ano eu não vou…” Um novo ano é sempre uma oportunidade de nos aproximarmos do que gostaríamos de fazer e de ser como profissionais. Gostaria em nome da Direcção da Pró-Inclusão: Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, de desejar a todas e todos umas férias repousantes e que os compromissos que vão assumir sejam melhores (mais úteis, justos e generosos) do que os que assumiram o ano passado. É assim o nosso caminho. A nossa Associação continua firme no seu compromisso de contribuir para que os professores sejam ouvidos e respeitados. E representamos os professores para atingir a qualidade de educação dos alunos com necessidades educativas especiais, esses sim a razão de ser de toda a nossa formação, empenho e profissionalidade."

Até breve!
David Rodrigues
Presidente da Pin-ANDEE

Editorial da 2ª newsletter do mês de Junho da Pró-Inclusão: Associação Nacional de Docentes de Educação Especial (PIN-ANDEE)

Autismo, uma doença de muitas mutações

Artigo do Público de 9 de Junho de 2011. Por Clara Barata.

O autismo não é uma doença única – são muitas doenças. E pode surgir devido a uma panóplia de mutações raras, que não são herdadas do pai ou da mãe, surgem espontaneamente, num mínimo de 250 a 300 pontos do genoma, e afectam o desenvolvimento do sistema nervoso da criança, adiantam três artigos científicos publicados hoje na revista Neuron. Estes tentam avançar também com uma explicação para a desigualdade da doença relativamente aos sexos, ao afectar quatro vezes mais rapazes do que raparigas.Foram estudadas mil famílias que têm um filho saudável e outro com uma das desordens do espectro do autismo – designação onde cabem muitas doenças diferentes. Esta base de dados foi uma das novidades metodológicas, sublinha um comunicado da Fundação Simons, a instituição americana que a coligiu: a maioria dos estudos feitos até agora concentrou-se em famílias onde mais do que um filho é autista, o que implica uma forte componente hereditária. Se só um dos filhos é autista, a explicação genética é, provavelmente, diferente.Os cientistas concentraram-se assim na busca das mutações genéticas que surgem espontaneamente nas crianças afectadas. Michael Wigler, do Laboratório de Cold Spring Harbor, em Nova Iorque, um dos líderes da equipa de investigadores, tinha desenvolvido a hipótese de que estas mutações podiam estar na origem de pelo menos metade dos casos de desordens do espectro autista. Algo de semelhante acontece com outra doença mental, a esquizofrenia.Estas mutações de novo, ou espontâneas duplicam, ou então apagam, segmentos de ADN do genoma (pense num romance em que são apagadas aleatoriamente algumas linhas de texto, ou então repetidas outras linhas, um certo número de vezes). Toda a gente tem alguns fragmentos de ADN apagados ou repetidos; mas na maioria dos casos não afecta genes essenciais, nem causa doenças.Elas e as sinapsesNestes estudos publicados na Neuron, os cientistas descobriram muitas destas mutações em oito por cento dos irmãos com autismo. Isto quer dizer que as mutações são quatro vezes mais frequentes nos irmãos afectados do que nos saudáveis. Pelo menos 75 das mutações descobertas pareciam prometedoras para a investigação e em seis delas é provável que se façam descobertas interessantes.Um dos estudos concentrou-se em tentar perceber se estas zonas do genoma sugeriam alguma espécie de coerência, uma rede funcional ou molecular. E, curiosamente, os resultados foram positivos, diz o trabalho coordenado por Dennis Vitkup, da Universidade Columbia, em Nova Iorque. “Esta análise dá uma boa base de sustentação à hipótese de que na origem do autismo esteja a perturbação da formação de sinapses”, escreve a equipa na Neuron. As sinapses são os pontos de junção que permitem aos neurónios comunicar entre si, trocando sinais químicos ou eléctricos, transmitidos através das suas extensões, axónios e dendrites.Será que as raparigas são mais resistentes às desordens do espectro do autismo porque “atingem um certo número de marcos de desenvolvimento cognitivo” mais cedo do que os rapazes?, lança a equipa de Wigler na Neuron como hipótese. “Por exemplo, em geral, as meninas dizem as suas primeiras palavras numa idade mais precoce. Um ritmo de desenvolvimento mais rápido poderia reflectir uma robustez que protegesse o sexo feminino”, escrevem.O autismo é diagnosticado a partir dos três anos de idade e o estudo revelou que, para que as meninas sejam afectadas pelas mutações genéticas espontâneas, estas têm que ser muito maiores e têm que atingir muito mais genes do que no caso dos rapazes (15 genes por mutação em média para elas, dois para eles). Além disso, quando as mulheres são autistas, é mais provável que tenham uma forma severa da doença. Entre os homens, há mais casos de pessoas que conseguem funcionar relativamente bem em sociedade, apesar de sofrerem de uma desordem que afecta, precisamente, as suas capacidades de relacionamento social.Williams, no ponto oposto. Uma outra descoberta tem implicações curiosas para o estudo da base genética do nosso cérebro social: algures no braço mais curto do nosso cromossoma 7 fica uma região denominada “7q11.23″ que está associada a uma doença chamada síndrome de Williams, que é o oposto do autismo: faz com que as pessoas se tornem altamente empáticas e saciáveis, extremamente sensíveis ao estado emocional dos outros. Isto, porque naquela região surgiram mutações que fizeram surgir cópias extra do genoma.No caso das mutações detectadas agora, associadas ao síndrome do espectro autista – em que há dificuldade em comunicar com os outros e manter relações sociais, em termos gerais -, faltam segmentos de ADN.“Esta região do genoma pode tornar-se a Pedra de Roseta para estudar o desenvolvimento do cérebro social”, tal como a célebre pedra serviu para decifrar os hieróglifos egípcios, comentou Matthew State, da Universidade de Yale, outro membro da equipa, citado num comunicado da Fundação Simons. Mas não é de esperar que deste estudo saia uma “bala mágica”, um medicamento contra o autismo – porque não existe uma doença única, ou um gene único que cause a cause. “A diversidade é tal que um único tratamento visando uma forma específica do autismo pode não ter efeito sobre a maioria dos casos”, explica Michael Wigler, citado pela agência AFP.“Mas quando os genes com mutações relacionadas com o autismo forem identificados”, disse ainda, pensando numa próxima geração de tecnologia, “poderemos começar a pensar nos problemas específicos de cada criança, e não em tratar vários problemas em conjunto.”O autismo, que parece estar em crescimento – ou é cada vez mais detectado, provavelmente -, afectando pelo menos um por cento da população, está a assemelhar-se a outra doença da modernidade. “Uma complexidade genética semelhante é aparente em muitos cancros”, sublinha a equipa de Vitkup, que verificou se as mutações ligadas ao autismo teriam alguma coerência funcional.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

A despedida do ano lectivo...

Pois é, como já tinha partilhado... o ano lectivo estava a acabar, a saudade já estava a apertar e a despedida planeada para ser em grande!! E assim foi... A Ilha de Tavira esteve ao rubro e deixou marcas para recordar por muito e muito tempo.


Aqui fica uma foto tirada por nós....

Boas Férias meus Meninos!...